Futuro dos negócios exige lideranças mais humanas

Saúde mental, escuta e maturidade emocional ganham papel central na construção de empresas sustentáveis e na agenda de desenvolvimento de Minas Gerais
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Futuro dos negócios exige lideranças mais humanas
Foto: Reprodução Adobe Stock

O ecossistema empresarial mineiro, reconhecido por sua solidez e prudência, está diante de uma encruzilhada que não permite mais meias-medidas. Em recente passagem por Belo Horizonte, a psicanalista Maria Homem trouxe um diagnóstico contundente: o modelo tradicional de comando faliu. Não sucumbiu por imperícia técnica ou falta de capital, mas pela dificuldade de sustentar a saúde psíquica das pessoas em um cenário de policrise.

Frente aos extremos climáticos, à erosão institucional e à ascensão vertiginosa da inteligência artificial, o sofrimento mental deixou de ser demanda de bastidor para se tornar o núcleo da viabilidade econômica. Em Minas, Estado que conhece na pele o peso de crises socioambientais e a urgência de transições responsáveis, insistir em metas puramente quantitativas e na repressão dos afetos é receita certa para o colapso operacional, refletido em absenteísmo, perda de talentos e esgotamento executivo.

A reflexão ganha força ao dialogar com a construção de futuro que o Diário do Comércio se propõe por meio dos projetos Parceiros do Futuro e Movimento Minas 2032. Se as máquinas assumem a execução técnica com precisão incomparável, o valor insubstituível do líder reside na maturidade emocional, na escuta qualificada e na capacidade de criar ambientes psicologicamente seguros. Como destaca a autora, essa virada de chave encontra na liderança feminina um pioneirismo natural, graças à histórica abertura para o diálogo, o autoconhecimento e a coragem de transformar vulnerabilidade em estratégia coletiva. Porém, precisados dos homens igualmente engajados e potentes porque o desafio é imenso.

Penso que repactuar o mundo dos negócios exige superar o cumprimento formal de regulações e inaugurar uma governança genuinamente humanizada. Para as lideranças mineiras, a mensagem é nítida: o desenvolvimento do nosso Estado nos próximos anos dependerá menos de estruturas rígidas e muito mais da nossa habilidade de reconhecer a fragilidade humana como um dos pontos de partida possíveis para construir organizações sustentáveis e resilientes.

Leia a reportagem: Economia e bem-estar: o imperativo para um novo tempo

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Adriana Muls

Presidente


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