IA, competitividade e o futuro da economia mineira em 2026
Tenho pensado muito sobre o potencial de transformação advindo da inteligência artificial (IA) e o risco de aprofundar desigualdades. Prevejo que a forma como Minas Gerais vai incorporar a IA nos negócios será decisiva para o seu desenvolvimento econômico nos próximos anos.
A inteligência artificial deixou de ser promessa e passou a ocupar o centro das decisões estratégicas das empresas. Em 2026, ela se consolida como prioridade nos conselhos e diretorias, mas com ressalvas quanto à geração de impacto concreto em produtividade, inovação e crescimento sustentável.
Esse descompasso, já observado em pesquisas nacionais, dialoga diretamente com os desafios históricos da economia de Minas Gerais: diversificação produtiva, aumento da produtividade, retenção de talentos e redução das desigualdades regionais.
Nosso Estado carrega uma economia plural, com forte base industrial, mineração, agronegócio, serviços e um ecossistema crescente de inovação. Ao mesmo tempo, enfrenta gargalos estruturais, como baixa intensidade tecnológica em parte da indústria, assimetrias regionais e dificuldade de transformar conhecimento científico em valor econômico.
Penso na IA como possível vetor de superação desses desafios, desde que usada de forma crítica, descentralizada e conectada com a Nova Economia e com o desenvolvimento humano.
É preciso estar consciente, como alerta o professor Virgílio Almeida, referência internacional em ética e governança da IA e docente da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG): “Algoritmos não são apenas ferramentas técnicas; eles organizam comportamentos, distribuem oportunidades e exercem poder”.
Essa afirmação é especialmente relevante para Minas, onde decisões automatizadas podem impactar cadeias produtivas inteiras, desde a mineração até o varejo, passando por logística, crédito, recrutamento e políticas de preços.
O risco para a economia mineira não está apenas em não adotar a IA, mas em adotá-las em estratégia, governança e visão de longo prazo. Empresas que utilizam sistemas algorítmicos sem supervisão humana, transparência e avaliação de impacto tendem a gerar ganhos pontuais de eficiência, mas acumulam passivos reputacionais, jurídicos e sociais.
Em um Estado que busca atrair investimentos, fortalecer sua marca institucional e ampliar sua competitividade, esse risco é significativo.
É certo que a IA oferece uma oportunidade concreta para Minas avançar em produtividade e inovação. Quando bem aplicada, ela pode apoiar a transição para uma economia mais diversificada, eficiente e sustentável, conectando-se a agendas centrais como reindustrialização verde, economia digital, qualificação da força de trabalho e fortalecimento de cadeias locais de valor. Isso exige que empresas, universidades e poder público atuem de forma articulada.
Defendo que, em 2026, o maior desafio não será tecnológico, mas de governança e liderança. Formar pessoas, preparar lideranças, investir em pesquisa aplicada e garantir diversidade nos times que desenvolvem e utilizam IA são decisões que impactam diretamente a capacidade do Estado de competir, inovar e gerar desenvolvimento com inclusão.
A economia mineira precisa participar ativamente da construção dessas tecnologias, adaptando-as à sua realidade social, produtiva e territorial.
Quero ampliar o debate com uma pergunta que deve ser constantemente feita, seja para incrementar o uso adequado da inteligência artificial ou repensar o valor de cada negócio. Queremos eficiência a qualquer custo ou desenvolvimento com propósito? A resposta a essa pergunta vai definir mais do que o desempenho das empresas, mas o papel de Minas Gerais na economia brasileira e global nos próximos anos.
Leia a reportagem: IA muda decisões nas empresas e impõe desafio de equilibrar eficiência e responsabilidade
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