Parceria entre empresas e OSCs impulsiona o desenvolvimento socioeconômico em Minas
O apoio às Organizações da Sociedade Civil (OSCs) pode ir muito além da destinação de recursos financeiros, estendendo-se para uma participação mais direta das empresas nas ações realizadas. Algumas companhias mineiras têm apostado em uma estratégia de filantropia permanente para ampliar sua contribuição ao desenvolvimento socioeconômico nas regiões onde atuam.
A diretora do Instituto Localiza, Alessandra Peixoto, afirma que, para a Localiza&Co, o investimento social privado (ISP) é uma estratégia para gerar impacto real e sustentável, indo além de boas intenções para se tornar um compromisso ético e de gestão.
Ela afirma que a instituição está estruturada na Teoria da Mudança e organizada em três pilares estratégicos:
- educação técnica e profissional,
- conexões para a inclusão produtiva
- e fortalecimento do ecossistema das juventudes.
O instituto atua de forma descentralizada, com foco no fortalecimento de projetos com jovens de diferentes OSCs.
Já o vice-presidente jurídico e institucional do Grupo Cedro Participações, Eduardo Couto, destaca que a empresa vê a filantropia como algo que vai além do pontual ou reativo, integrando a estratégia de longo prazo da companhia. “A mineração é uma atividade que transforma territórios e, por isso, entendemos que temos a responsabilidade de gerar valor social duradouro, especialmente nas regiões onde atuamos”, diz.
O compromisso social, segundo ele, tem sido uma das principais linhas de atuação da mineradora desde sua fundação. O porta-voz esclarece que, na visão da empresa, a atuação empresarial só é forte em função do bom relacionamento que a Cedro mantém com as comunidades onde opera. “Todas as ações e iniciativas que desenvolvemos são estruturadas dentro de uma governança ESG bastante robusta”, afirma.
Implementação de atividades
De acordo com Alessandra Peixoto, o Instituto Localiza realiza investimentos financeiros nas iniciativas, elabora acompanhamento técnico dos projetos e contribui com pontes para o mercado de trabalho. “Anualmente estabelecemos relações com cerca de 80 organizações sociais em todo o País, apoiando a jornada de crescimento de 30 mil jovens, em média”, relata.
No caso da Cedro, Couto relata que a empresa trabalha com diagnóstico territorial, escuta ativa das comunidades, diálogo com lideranças locais e parcerias com instituições técnicas e sociais. Além disso, os projetos passam por critérios de impacto, transparência e alinhamento com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Organização das Nações Unidas (ONU).
Essas iniciativas ainda passam por acompanhamento contínuo, com indicadores de resultado. O vice-presidente jurídico e institucional do grupo ressalta que essas ações não se limitam ao investimento de recursos, mas também à garantia de que eles possam gerar uma transformação concreta e sustentável ao longo do tempo.
“Entendemos que todo esse planejamento garante que as iniciativas não sejam pontuais ou desconectadas, mas parte de uma estratégia consistente de desenvolvimento sustentável, capaz de gerar valor real para as comunidades onde estamos inseridos”, pontua.
Esse tipo de ação também enfrenta desafios, como conciliar demandas imediatas das comunidades com a necessidade de soluções estruturantes e de longo prazo, além da dificuldade de mensurar os impactos sociais. No entanto, Couto afirma que o enfrentamento dessas questões faz parte do compromisso da Cedro com uma atuação orientada à geração de valor de longo prazo para a sociedade.
“Nosso objetivo é sempre fortalecer capacidades locais, promover autonomia e apoiar iniciativas que continuem gerando benefícios mesmo sem aportes contínuos. Isso exige escolhas criteriosas, monitoramento constante e, em alguns casos, ajustes de rota”, completa.
Perfil das instituições beneficiadas

A diretora do Instituto Localiza, Alessandra Peixoto, esclarece que a entidade busca apoiar OSCs que atuam de forma consistente em suas comunidades, com foco especial nas juventudes, em diferentes regiões do Brasil. Locais com elevados níveis de vulnerabilidade social e altas taxas de desocupação juvenil têm prioridade.
“Muitas vezes, somos o primeiro parceiro externo a investir nessas organizações, ajudando a tirar do papel projetos que nascem de realidades diversas, desde grandes centros até áreas como a Costa de Itacaré, na Bahia”, relata.
Além disso, ela ressalta que as organizações selecionadas são aquelas que demonstram potencial para transformar o conhecimento local em soluções replicáveis e que estejam dispostas a cocriar indicadores de impacto mais claros.
Alessandra Peixoto destaca que o País está passando por uma transição demográfica, com a população envelhecendo mais rapidamente. Esse cenário torna ainda mais necessária a qualificação dos jovens para o mercado de trabalho ou para dar início a uma jornada empreendedora. “Por isso, apostamos em programas de capacitação técnica e no desenvolvimento de habilidades digitais e socioemocionais”, acrescenta.
Considerando esse cenário, ela pontua que a missão do instituto é impulsionar a transformação social, facilitando o acesso de jovens à capacitação técnica e à inclusão produtiva. “Nosso objetivo é fortalecer o ecossistema da juventude, agindo como um motor de mobilidade social que eleva não apenas competências técnicas, mas também habilidades socioemocionais, redes de relacionamento e a autoestima desses jovens”, afirma.
O vice-presidente jurídico e institucional da Cedro Participações explica que a empresa prioriza instituições que atuam diretamente nas áreas de educação, cultura, saúde, inclusão social, meio ambiente e desenvolvimento urbano. Ao todo, a companhia investe em mais de 60 iniciativas, principalmente em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), e em Mariana, na Região Central de Minas Gerais.
De acordo com Couto, o que pesa na decisão não é apenas a estrutura administrativa ou o porte da instituição, mas a capacidade de execução, o alinhamento de valores e o potencial de gerar transformação social concreta. “A Cedro busca parceiros que apresentem histórico de atuação consistente, transparência na gestão, capacidade técnica e compromisso com boas práticas de compliance e de prestação de contas”, diz.
Outra característica valorizada pela mineradora, segundo ele, é a visão de longo prazo, com foco na sustentabilidade própria, seja por meio da formação de pessoas, geração de renda, educação ou fortalecimento institucional. O porta-voz da companhia afirma que o foco do grupo é participar da realidade local, com legitimidade junto às comunidades.
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