Wave AV aposta em tecnologia própria para desafiar gigantes globais da automação
Em um setor historicamente refém do câmbio e das cadeias de suprimentos globais, a brasileira Wave AV está executando uma manobra de verticalização para desafiar a hegemonia de gigantes como Samsung (AMX) e Crestron. Capitalizando a expertise acumulada em 15 anos de mercado, a empresa converteu o gargalo logístico da pandemia em uma oportunidade de substituição de importações, desenvolvendo tecnologia própria de automação que promete reduzir o custo de infraestrutura tecnológica para grandes corporações ao mesmo tempo em que garante soberania em projetos de defesa e segurança nacional.
O movimento da Wave AV foi acelerado pelo “choque de oferta” durante a pandemia, que expôs a vulnerabilidade das empresas brasileiras frente à paralisia logística global. Sob a liderança de Pedro Retes, a empresa desenvolveu em tempo recorde três famílias de produtos para suprir a demanda nacional por automação e controle em infraestruturas críticas – setor antes dominado por marcas como AMX (Samsung), Crestron e Kramer.
Eficiência e o custo da inatividade
No radar dos CFOs e gestores de TI, a tecnologia da Wave ataca um gargalo financeiro invisível, mas oneroso: o tempo de inatividade (downtime). Em grandes corporações e órgãos públicos, falhas em sistemas de videoconferência ou salas de conselho traduzem-se em perda direta de produtividade e horas de trabalho de alto valor agregado.
“Nosso hardware foi desenhado para garantir o máximo uptime. Em setores como o de Defesa, onde atendemos a Marinha do Brasil, a exigência vai além da funcionalidade: entregamos sistemas customizáveis e totalmente offline, garantindo a segurança da informação”, explica Pedro Retes. Além da Marinha, o portfólio da empresa já inclui gigantes como Localiza, Abbott, Sebrae e Sescoop.
Arbitragem de custos
Diferente dos modelos engessados das multinacionais, a Wave aposta em uma arquitetura de software flexível e escalável. Essa abordagem confere à empresa uma vantagem competitiva de preços no Brasil, operando com custos significativamente menores que os concorrentes importados.
O ineditismo da solução brasileira é tamanho que, segundo Retes, os grandes fabricantes globais começam apenas agora a lançar produtos que buscam a mesma flexibilidade que a Wave já implementou. “Estamos no caminho certo. Nossa tecnologia é transparente para o usuário final, mas oferece controle total para a gestão de TI, impedindo desconfigurações que geram chamados de suporte desnecessários”, afirma o executivo.
Potencial do mercado
O cenário para a expansão é robusto. Dados do Industry Outlook and Trends Analysis (IOTA), da Avixa, apontam que o mercado brasileiro de áudio e vídeo profissional movimentou cerca de US$ 5 bilhões em 2024. No entanto, a grande oportunidade reside no mercado global, projetado para saltar de US$ 332 bilhões em 2025 para US$ 402 bilhões até 2030.
O movimento da Wave AV ocorre em um momento em que a eficiência operacional (uptime) e a segurança de dados tornaram-se ativos inegociáveis para o C-Level. Ao alinhar um investimento de R$ 10 milhões a um modelo de hardware robusto e software flexível – que antecipa tendências apenas agora exploradas por players internacionais -, a companhia não apenas consolida sua posição em um mercado doméstico de US$ 5 bilhões, mas estabelece o alicerce para uma arbitragem tecnológica global.
A meta é clara: transformar a agilidade do desenvolvimento brasileiro em uma vantagem competitiva exportável para mercados maduros, provando que a inovação em hardware no País pode, sim, ultrapassar as fronteiras da mera integração de sistemas.
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