Lalka: balas e bombons levam empresa ao centenário

Fundada por um polonês, em 1925, loja, localizada na Floresta (região Leste), junto à fábrica, é ponto de encontro de famílias, estudantes e grupos de amigos

18 de outubro de 2023 às 0h26

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Grochowski batizou a loja de Lalka, “boneca” em polonês | Crédito: Divulgação/Lalka

A história de um imigrante polonês que chegou ao Brasil no início do século passado e se estabeleceu em Belo Horizonte em 1925 e resolveu vender balas e bombons se mistura com a própria história da Capital. Atravessando gerações, a loja Lalka, que fica no bairro Floresta (região Leste), junto à fábrica, é ponto de encontro de famílias, estudantes e grupos de amigos.

O negócio está na terceira geração e, mesmo enfrentando as instabilidades políticas e econômicas do século 20 e a revolução tecnológica das últimas décadas, segue apostando nas receitas tradicionais e em um jeito personalizado de atender os mais doces desejos dos seus clientes.

E é assim que a Lalka chega à edição da série Mineiridade de hoje, oferecendo um sorriso para crianças e adultos em forma de balas e bombons.

“Boneca”. Assim Henryk Grochowski, batizou a loja de guloseimas ao escolher o nome Lalka, na sua língua natal, o polonês, para a empresa que abria na jovem

capital mineira. Naquele tempo, talvez ele não pudesse imaginar que estava criando uma marca que se tornaria ícone ao longo do século e que tivesse entre os seus sabores alguns que virariam quase sinônimo de doce em Belo Horizonte.

Membro da terceira geração, Roberto Grochowski aprendeu com o avô e o pai que qualidade não se negocia. Ainda que em determinadas épocas seja preciso repassar, pelo menos, parte do aumento de custos para os clientes, é melhor subir o preço do que diminuir a qualidade.

“Eu não consigo e nem quero competir com a grande indústria. Nos diferenciamos por um produto de alta qualidade, com baixa adição de açúcar e receitas exclusivas. O nosso chocolate não leva gordura vegetal e é feito apenas com manteiga de cacau. É claro que tudo isso implica em custos mais altos e boa parte da nossa matéria-prima é cotada em dólar, o que torna o planejamento mais complexo. Mas ainda assim acreditamos que o nosso consumidor não aceitaria que mudássemos as receitas. A qualidade Lalka é o que nos dá reputação”, explica Grochowski.

Quase todas as receitas dos mais de 100 produtos em linha são originais, muitas delas ainda do tempo do fundador. A grande estrela da companhia é a bala de maçã. E o astro, o bombom licor de cereja.

A inspiração para novos sabores vem, principalmente, das conversas com os consumidores no balcão e de viagens.

“Quando um cliente fala de um sabor ou encontramos algum que achamos interessante, partimos para a pesquisa para entender como ele pode entrar na nossa linha de produção. Se esse sabor se mostrar viável, desenvolvemos uma receita própria. Algumas dessas experiências já deram certo, mas o nosso maior sucesso vem, mesmo, dos produtos tradicionais”, pontua o executivo.

Além da loja da fábrica, a Lalka tem mais uma loja própria na Savassi (região Centro-Sul) e uma parceira no Minas Shopping (região Nordeste). Além disso, tem suas balas distribuídas em delicatéssens, hotéis e no museu Inhotim, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).

Recentemente, a marca de balas e bombons começou as primeiras exportações com destino aos Estados Unidos. Já existem distribuidores interessados nas balas e bombons mineiros também em Portugal e na Itália.

“Vender no exterior não é um processo fácil. Como trabalhamos com alimentos, passamos por um processo longo e minucioso junto aos órgãos de controle sanitário. Isso demanda tempo e uma compreensão sobre a legislação de cada país. Tocamos o projeto de importação como fazemos a nossa expansão no Brasil, passo a passo. Cada venda só é concretizada na medida em que tenho a certeza de que vou conseguir entregar dentro do prazo, na quantidade e com a qualidade combinada. Posso me orgulhar e dizer que a Lalka nunca descumpriu um contrato”, afirma.

Balas da Lalka fazem sucesso com diferentes idades
A loja Lalka da Floresta (região Leste) fica junto à fábrica | Crédito: Divulgação/Lalka

Centenário da Lalka será marcado por realização de um sonho

O planejamento para a comemoração do centenário já começou, mas os detalhes ainda estão, mineiramente, sob sigilo. A ocasião deve marcar a realização de um sonho, abrir parte da fábrica para a visitação pública e tornar parte do acervo em um pequeno museu permanente.

A quarta geração já tem representantes dentro da fábrica, e a expectativa é que possam continuar tocando o negócio em família e em clima de uma velha amizade com clientes e parceiros.

“Esse é um negócio de família, de vez em quando aparece uma oferta de parceria ou até mesmo de compra da marca, mas a gente vai resistindo. Aqui recebemos senhoras com mais de 80 anos que compram aqui desde quando eram crianças. Elas vêm para conversar, para lembrar os tempos de infância e juventude. Trazem os netos para conhecer a Lalka. Isso é muito gratificante”, completa o proprietário da Lalka.

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