Crédito: Alisson J. Silva/Arquivo DC

As idas e vindas sobre a notícia de que as lojas que vendem chocolate poderiam abrir na semana que antecede a Páscoa em Belo Horizonte colocaram comerciantes e consumidores em estado de alerta. Ao fim de tudo, ficou decidido que as lojas podem abrir fazendo entregas na porta, a exemplo do que já acontece, desde o início do fechamento parcial do comércio da Capital, com bares e restaurantes.

A notícia é um alívio para o mercado, mas está longe de resolver o problema. Em março, a inflação controlada, os juros mais baixos e a retomada, ainda que gradual, da geração de empregos, animavam produtores e comerciantes. A Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab), previa um crescimento de um crescimento de 5% a 10% nas vendas em relação a 2019.

As empresas estavam investindo em novos produtos, na inovação de embalagens e no uso de personagens atrativos e atuais. Em 2019, foram produzidas cerca de 10 mil toneladas de chocolates para o período de Páscoa, incluindo ovos, figuras de Páscoa, produtos em embalagens temáticas presenteáveis e outros itens.

Até o mês passado no Brasil, para atender a demanda da Páscoa, foram contratados, em média, cerca de 14 mil profissionais temporários, que começaram a atuar em setembro de 2019 na produção das fábricas nacionais, e outros que atuarão, até abril, no atendimento e abordagem dos consumidores nas lojas. Somente nas fábricas, o aumento da mão de obra ficou em torno de 16%.

Tradição – Uma das marcas locais mais tradicionais da Capital é a Lalka, com 94 anos de existência. A mais antiga unidade fica no bairro Floresta (região Leste) é frequentada especialmente por famílias. Não raras as vezes são os avós que levam os netos até a loja e até o contrário acontece.

Em março, a expectativa do proprietário da Lalka, Roberto Grochowski, era crescer cerca de 10% na Páscoa 2020, frente ao mesmo período de 2019. A empresa estava preparada para produzir cerca de 3 toneladas de chocolate. Para conquistar os clientes e ampliar as vendas, a aposta era na produção personalizada e na variedade de ovos, que vão de 10 gramas até 30 quilos.

O esforço é também para aumentar as vendas via internet. “Começamos esta semana abrindo a loja da Floresta e a da Savassi (região Centro-Sul) com barreira física com atendimento na porta e tomando todos os cuidados necessários. Nós já trabalhávamos com venda on-line e passamos a vender também pelo WhatsApp, com entrega grátis acima de um determinado valor. As vendas aumentaram, mas não ficam dentro do que esperávamos. Devido ao Covid-19 certamente teremos uma queda violenta. Mas teremos dias melhores”, explica Grochowski.

Há nove anos na Savassi, o franqueado da Cacau Show, Osvaldo Quirino, se alegra com a possibilidade de reduzir, ainda que pouco, o prejuízo na Páscoa desse ano. A data é a melhor do comércio de chocolates, superando, inclusive, o Natal.

Seguindo à risca a recomendação de atender os clientes apenas na porta, ele teve um dia cheio. O comércio on-line, porém, é a modalidade que se tornou mais importante nesses últimos dias e que será responsável por quase todo o faturamento conquistado desde que as medidas de isolamento social foram aplicadas.

“Colocamos uma barreira na porta, mas o tempo todo tem alguém aqui. A região da Savassi tem muitas empresas e muitas residências, então tem movimento todo o tempo, mesmo com o volume muito reduzido. A maioria das pessoas liga antes para saber se estamos abertos. O chocolate é um presente e as pessoas querem ver, querem escolher, então estarmos abertos é fundamental para a experiência do cliente e para o resultado das nossas vendas em qualquer época do ano”, destaca Quirino.