Gargalos no campo
É fato objetivo que a economia brasileira tem sido suportada ao longo, talvez, das duas últimas décadas, essencialmente por conta da produção no campo e do desempenho do agronegócio que levou o país à condição de um dos líderes mundiais na oferta de alimentos. Caberá sempre aplaudir os acertos que pavimentaram o caminho para resultados tão expressivos, sobretudo por conta de ganhos de produtividade impares. E tudo para lembrar a figura do professor Alysson Paolinelli, o grande inspirador das transformações que começaram nos anos 70, tendo como principal palco precisamente o cerrado mineiro.
Lembrar e reverenciar Paolinelli deveria significar também, e não somente no que diz respeito aos negócios no campo, boas práticas para as quais não deveriam haver limites. No campo, precisamente, o Brasil se prepara para exibir, ao final da colheita do ano corrente, novos recordes, com a produção de grãos devendo chegar perto de 350 milhões de toneladas, conforme as mais recentes estimativas da Confederação Nacional da Agricultura (CNA). O grande problema é que o sistema de armazenagem disponível no país terá capacidade para receber pouco mais de 60% da produção esperada, o menor nível nos últimos 20 anos. Foi precisamente no ano de 2006 que a produção somou 122,5 milhões de toneladas e a capacidade de armazenagem era de 122 milhões de toneladas. Na atualidade, a capacidade estimada é de 218 milhões de toneladas.
Algo tão absurdamente precário e distante dos padrões de sucesso construídos no campo que até mesmo cargas em movimento, geralmente em carretas e vagões de trem, chegam a entrar na contabilidade daquelas “armazenadas”. Tempo perdido e perder tempo significa prejuízo, alta de custos e perda de competitividade. Tudo para fazer lembrar a frase que já vai ficando velha e de um agricultor para quem seu negócio ia bem “da porteira para dentro” e mal “da porteira para fora”. É preciso encarar a realidade e cuidar de modificá-la no menor espaço de tempo possível. Um esforço que especialistas recomendam que comece pela identificação dos principais gargalos existentes.
Seriam providências para mais amplamente adequar a logística, portanto armazenamento, transporte e embarque, possibilitando também que o processo de escoamento seja melhor ordenado. Porque sem que os diversos círculos se fechem e se completem adequadamente, o produtor acaba sujeito a pressões de intermediários ou até de atravessadores. Tudo para perturbar a cadeia e, em parte, comprometer seu brilho, perversamente a partir de seu elo mais fraco.
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