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Minas na contramão: desmatamento avança no Estado enquanto o Brasil atinge a menor marca desde 2019

Apesar da redução nacional de 20,6%, devastação subiu em solo mineiro; no Congresso, pacote de leis tenta travar a fiscalização por satélite

Pelo terceiro ano consecutivo, o Brasil, como um todo, registrou uma queda no ritmo de desmatamento. Minas, porém, caminhou na contramão, com aumento na área desmatada. As conclusões são da versão atual do RAD2025 (Relatório Anual do Desmatamento no Brasil), publicado pelo MapBiomas.

Sem querer embarcar na onda que domina atualmente as redações das grandes mídias do país e aderir ao jornalismo adversativo, a perda de vegetação no país desacelerou para 984.794 hectares em 2025, uma redução de 20,6% em relação ao ano anterior, mas ela ainda é enorme: o equivalente a 17 Ibirapueras, o maior parque urbano da cidade de São Paulo, desmatados todos os dias.

Somados, nos últimos sete anos, são quase 11 milhões de hectares perdidos de vegetação nativa. É como se, “puff!”, uma área superior ao estado de Pernambuco sumisse do mapa, segundo o MapBiomas.

Amazônia e Cerrado foram os biomas mais desmatados, com 84% de toda perda no país. Só o Cerrado concentrou 55% do desmatamento. Na Amazônia, a perda apresentou o menor nível desde 2019, com menos de um milhão de hectares perdidos pela primeira vez na série histórica do MapBiomas; uma queda de 20,6% em relação a 2024.

A força do Agro

De acordo com o MapBiomas, o desmatamento ligado à agropecuária é responsável por 97% da perda de vegetação nativa brasileira nos últimos sete anos. Em 2025, respondeu por 99%. Como o agro é o principal motor do desmatamento, a pressão recai fortemente sobre o Cerrado, bioma propício para a expansão de lavouras e pastagens.

Em Minas Gerais, essa pressão é evidente, visto que 75% de todo o desmatamento registrado no estado em 2025 ocorreu justamente em áreas de Cerrado.

Minas na contramão

Minas trilhou o caminho oposto da tendência nacional. Enquanto o Brasil registrou uma redução no desmatamento em 2025, o estado registrou um aumento de mais de 5% na área devastada.

Desde que o MapBiomas iniciou os registros, em 2019, Minas vem oscilando. Com uma perda de 26,5 mil hectares no primeiro ano da série histórica, atingiu o pico de desmatamento em 2023, com 75 mil hectares, registrando uma grande queda em seguida (38 mil hectares), para registrar novo aumento no ano passado (40 mil hectares).

Um trator também na direção oposta

Há cerca de 15 dias, na Câmara dos Deputados, um pacote de Projetos de Lei com um desmonte da fiscalização foi aprovado, com o objetivo de dificultar ou enfraquecer a aplicação de embargos remotos baseados em imagens de satélite, tecnologia fundamental que baseia as descobertas do RAD2025 do MapBiomas.

Um dado alarmante é que são encontrados indícios de ilegalidade em cerca de 90% de toda a área desmatada no ano passado, seja por sobreposição com áreas embargadas, ocorrência dentro de territórios protegidos ou ausência de autorizações de supressão.

De 2019 pra cá, apenas 5,5% de toda a área desmatada no Brasil não apresentou indícios de ilegalidade ou irregularidade.

O combate à destruição depende cada vez mais de instrumentos como o cruzamento de dados espaciais, sanções financeiras e a fiscalização remota por satélites, atropelados pelo trator da bancada do agro. A análise, agora, cabe ao Senado.

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