País que perde competitividade pode melhorar a vida dos cidadãos?
O World Competitiveness Ranking, produzido pelo IMD e conduzido no Brasil pela Fundação Dom Cabral, é uma das avaliações internacionais mais respeitadas sobre competitividade global. Desde 1989, ele compara países a partir de critérios objetivos que avaliam qualidade das instituições, eficiência do governo, produtividade das empresas, infraestrutura, inovação, educação, tecnologia e capacidade de atrair investimentos.
Na edição que acabou de ser publicada, o Brasil ocupa a 65ª posição entre 67 países, superando apenas Gana (66º) e Nigéria (67º). É uma das piores colocações da nossa história. Enquanto outras nações avançam, o Brasil se mantém preso a narrativas, disputas políticas e entraves burocráticos e institucionais que comprometem sua capacidade de oferecer melhores condições de vida para sua população.
Em desempenho econômico, o Brasil aparece em 36º lugar, essa é a melhor posição do país na história do ranking. Mas para quem acha que essa é uma boa notícia, é melhor repensar, pois uma economia que figura entre as dez maiores do mundo não poderia estar na 36ª colocação em desempenho econômico. Isso revela que crescemos menos do que poderíamos e que investimos menos do que deveríamos. No médio e longo prazo, isso significa que ficaremos para trás.
Em eficiência governamental, o Brasil aparece em 69º, pois neste pilar foram avaliadas 70 economias. Isso significa que a eficiência governamental brasileira só foi melhor do que a da Venezuela (70º). Isso demonstra a incapacidade do Estado brasileiro de sustentar políticas públicas que melhorem a vida dos cidadãos.
Há aqueles que diriam que é a iniciativa privada que sustenta esse país, mas na verdade a eficiência empresarial do país também é vexatória, ocupamos apenas a 67ª posição nesse quesito. Produtividade baixa, práticas de gestão defasadas, custo operacional elevado e um mercado de trabalho pouco dinâmico. O Brasil aparece entre os últimos colocados em educação gerencial, habilidades financeiras e qualificação da força de trabalho. As empresas brasileiras, salvo raras exceções, estão ficando para trás.
Em infraestrutura, estamos em 61º, um país continental, com vocação logística e potencial energético gigantesco. Essa posição revela o atraso da base do processo de desenvolvimento que compromete produtividade, encarece operações e reduz competitividade sistêmica.
A competitividade se traduz, no dia a dia, em renda, emprego, produtividade, inovação, infraestrutura, serviços públicos, educação e qualidade de vida. Um país pouco competitivo é um país que oferece menos oportunidades, menos crescimento e menos futuro.
Ouça a rádio de Minas