Editorial

Seis olhares, um mesmo dilema

Pré-candidatos ao Governo de Minas abordam a dependência do extrativismo e a dificuldade histórica de agregar valor às cadeias produtivas do Estado
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Seis olhares, um mesmo dilema
Foto: Reprodução Adobe Stock

A série de entrevistas do Diário do Comércio com os seis pré-candidatos ao governo de Minas Gerais, construída a partir dos eixos do Parceiros do Futuro e do Movimento Minas 2032, expôs algo maior que o debate eleitoral: como o campo político enxerga o mesmo problema estrutural que o setor produtivo discute há anos, a dependência mineira do extrativismo e a dificuldade histórica de agregar valor às suas cadeias produtivas.

Chama atenção que, apesar das diferenças ideológicas, boa parte das respostas convirja para um mesmo diagnóstico: Minas tem ativos abundantes, mineração, agro, energia, mas segue exportando matéria-prima de baixo valor agregado em vez de industrializar o que produz. As menções ao beneficiamento de minerais críticos, à torrefação de café e ao processamento de alimentos revelam um consenso raro: o problema não é a falta de recursos, é a incapacidade crônica de transformá-los em riqueza que permaneça no Estado.

As divergências de método, porém, são reveladoras. Há quem condicione qualquer fomento à resolução prévia da dívida estadual. Há quem aposte na educação como pré-requisito para qualquer salto econômico. E há quem enxergue na transição energética não só uma oportunidade industrial, mas um ponto de tensão territorial, ao alertar para os impactos de eólicas e solares sobre comunidades quilombolas e indígenas, dimensão ausente do discurso predominantemente técnico sobre diversificação econômica.
O valor do painel está em permitir essa comparação direta, sem intermediação editorial excessiva, entre visões que, de outra forma, chegariam ao eleitor de forma fragmentada. Ao formular a mesma pergunta a todos os nomes com força eleitoral relevante, o jornal cumpriu papel de organizador do debate público, função rara em tempos de discurso político pulverizado em recortes de rede social.

Fica um alerta: reconhecer o mesmo problema não significa ter a mesma capacidade de resolvê-lo. O desafio de agregar valor às cadeias produtivas mineiras é conhecido há décadas. Caberá ao eleitor avaliar não apenas o diagnóstico de cada um dos seis nomes, mas a viabilidade concreta de suas propostas, em um Estado cuja histórica lentidão em transformar potencial em desenvolvimento já frustrou expectativas semelhantes em outros ciclos.

Leia a reportagem completa com as entrevistas na íntegra na edição desta quinta-feira (16) do Diário do Comércio.

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