Desafios à vista
O primeiro semestre encerrou com um quadro macroeconômico que pode ser considerado positivo tanto em Minas Gerais quanto no Brasil. Entre os fatores que nos leva a fazer uma avaliação positiva está uma perda de ritmo na inflação e a continuidade do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no início do ano. Porém, temos à frente meses desafiadores e será preciso resiliência para encerrar 2026 no azul.
Em junho, por exemplo, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) surpreendeu o mercado e subiu 0,16%, após alta de 0,58% em maio, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre os fatores que fizeram a inflação perder força está uma redução inesperada do custo com a alimentação no período.
Esse movimento gerou um otimismo em torno de um possível corte da taxa básica de juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. A manutenção da Selic em 14,25% vem freando o crescimento da economia brasileira.
Outro ponto que leva a um cenário positivo é o último resultado do PIB. Dados do IBGE apontam que a economia avançou 1,1% no primeiro trimestre deste ano. O desempenho também surpreendeu o mercado.
O desafio agora é manter uma boa evolução na segunda metade do ano em meio aos desafios à frente. Um dos maiores gargalos para o segundo semestre é a nova escalada da tensão no Oriente Médio. Estados Unidos e Irã interromperam o cessar-fogo e novamente os preços internacionais do petróleo estão subindo de forma significativa com o novo fechamento do Estreito de Ormuz.
No cenário doméstico, a proximidade das eleições também exige atenção. Historicamente, períodos eleitorais tendem a elevar a volatilidade dos mercados, retardar decisões de investimento e ampliar o ambiente de incerteza. Ao mesmo tempo, o equilíbrio das contas públicas continuará sendo determinante para consolidar a confiança de empresários e consumidores. O controle dos gastos, o cumprimento das metas fiscais e a previsibilidade das políticas econômicas serão fundamentais para que o País mantenha um ambiente favorável aos investimentos.
O segundo semestre começa com indicadores mais animadores do que os projetados no início do ano. Entretanto, transformar essa conjuntura em crescimento consistente dependerá menos da sorte e mais da capacidade de enfrentar os desafios externos e internos com responsabilidade, estabilidade e compromisso com a economia real. O Brasil não pode permitir que incertezas políticas ou fiscais comprometam a oportunidade de consolidar a recuperação iniciada nos primeiros meses de 2026.
Ouça a rádio de Minas