Os coquetéis com vinho, inspirados em países que estão ou não em campo, são uma forma divertida de passar o tempo e esquecer a ansiedade
Tem pouco mais de um mês, soube que a rede Zona Sul de supermercados iria promover um concurso para amantes do vinho. Me inscrevi e fiz a prova online. Não é que duas semanas depois chegou um e-mail informando que era uma das finalistas? Demorei a acreditar, porque sempre fui meio ruim nesse tipo de certame. Mas a organização pediu dados e confirmou.
A etapa presencial aconteceu no Consulado Geral da Itália, no Rio de Janeiro. Teve climão de MasterChef. Os 16 concorrentes provaram quatro pratos: Vitello Tonnato, um clássico da região do Piemonte, Berinjela à Parmegiana, Porqueta com legumes e Cordeiro com purê de berinjela, preparados na cozinha-escola do consulado. Tivemos 25 minutos para escolher os quatro vinhos, preencher a ficha técnica e entregar para a organização.
Em meio à correria que o tempo exíguo impôs (afinal, era uma competição), consegui fazer a seleção que achei mais adequada. Entre as muitas opções à disposição, havia belas surpresas. Destaco duas que incluí na minha harmonização: um rótulo da casta branca Nuragus de Cagliari, da tradicional Cantine de Dolianova, da Sardenha, e o tinto Mobile de Montepulciano, da linha Duca di Saragnano, produzido pela vinícola Barbanera, na Toscana.
No salão, um júri de 10 pessoas, entre eles o icônico Danio Braga, que abriu os caminhos para os estudos sobre vinhos no Brasil. Entramos um de cada vez e fizemos a defesa oral das escolhas.

Foi difícil vencer a timidez, mas me lancei. E, aos poucos, fui ganhando confiança. O resultado demorou a vir. A Copa do Mundo dá uma travada no cotidiano e parece que só existe cerveja entre as bebidas alcóolicas na Terra.
Mas, continuando na Itália – mesmo com a seleção do país fora da Copa – me dediquei a uma forma muito divertida de curtir vinhos: fazer drinques para assistir aos jogos.
Meu preferido disparado é o Bellini. Criado em 1948 no Harry’s Bar, em Veneza, mistura purê fresco de pêssego com Prosecco. É possível fazer adaptações à receita tradicional, com outros espumantes – desde que sejam do estilo brut – e concentrado de suco da mesma fruta. O importante é servir na flûte de Champanhe, com ingredientes gelados.
Outro clássico italiano é o Aperol Spritz. Segundo a Difford’s Guide, bíblia inglesa dos drinques, a receita também foi criada em Veneza quando ainda fazia parte do império Austro-Húngaro, no século 19. Na época, era consumido por soldados austríacos nas tavernas, que diluíam o vinho branco com água para torná-lo mais parecido com a cerveja que costumavam beber.
Para chegar ao nosso atual Aperol Spritz – ou Spritz al Bitter, como também é conhecido na Itália – é acrescentado o aperitivo amargo. Lá, o Aperol pode ser substituído por outros bitters, como Campari, o licor Select ou Cynar. Para finalizar, uma fatia de laranja.
Infelizmente, não durou muito nossa passagem pela Copa. Já sem a esperança pelo Hexa, voltei esta semana ao Consulado da Itália para a festa de premiação. E não é que levei a melhor? Fiquei em primeiro lugar!

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