Dos terremotos
O nosso continente tem várias regiões sujeitas a terremotos. Eu mesmo já experimentei essa sensação estranhíssima e apavorante em Santiago do Chile e na Cidade do México. Mas não escapam também Peru, Ecuador, Colômbia e Venezuela, que há semanas sofreu um terremoto com 50 mil desaparecidos, 2000 mil mortos e 4 mil feridos. Esse terremoto que destruiu uma parcela importante da capital venezuelana, Caracas e seu aeroporto internacional, também afetou outras províncias venezuelanas.
O país caribenho, que teve seu presidente sequestrado em janeiro deste ano e que está sob a presidência interina da antiga vice-presidente de Maduro, Delcy Rodriguez, e sob controle dos Estados Unidos, sofreu prejuízos humanos e econômicos enormes. Serão necessários bilhões de dólares e muitos anos para reconstruir as áreas afetadas e permitir que as pessoas voltem à sua vida pré- terremoto.
O Brasil, mesmo não concordando com a deposição de Maduro, com o qual também teve uma relação muito tumultuada, apesar de ser avalista da instalação do chavismo no país, foi um dos primeiros a socorrer. Não só mandou ajuda humanitária como remédios, socorristas, especialistas em resgate, mas também montou um completo hospital de campanha. Fez mais bonito do que a seleção canarinho na Copa 2026: equipes de diversos setores, estados e entidades funcionaram como uma orquestra bem afinada. Soft power. Parece que depois dos muitos desastres que tivemos, esse setor de defesa civil se organizou, dentro das limitações que o país possui, e funciona.
No episódio trágico na Venezuela, foram muitas as ajudas que vieram do mundo inteiro. Israel, que também tem muita experiência, lembre de Brumadinho, trouxe equipamentos mais avançados para a procura de vítimas e medições de terrenos e edificações para evitar mais desastres. India, União Europeia e tantos outros estão presentes nos resgates. Interessante é observar o papel dos EUA, que, desde janeiro, quando assumiram a gestão da Venezuela, tiraram do país 8.5 bilhões de dólares de receita de petróleo. Segundo fontes do New York Times, esse dinheiro deveria voltar para a Venezuela para gerar a reconstrução econômica do país. As áreas de extração de petróleo não foram afetadas pelo terremoto. Aí os EUA mandaram para a reconstrução desse desastre 300 milhões de dólares e 900 soldados. No terremoto no Haiti, em 2010, também de grandes proporções, enviaram 7000 militares e 3 bilhões de dólares.
O terremoto venezuelano atingiu em cheio o estado e seu governo. Nada funciona, nem resgates, nem hospitais. Mostrou toda a miséria do chavismo, inclusive a corrupção a plena luz do dia, os funcionários governamentais, soldados, bombeiros pedindo propina para ajudar. Um estado sob tutela dos EUA, com um regime antidemocrático e corrupto, além de ineficiente, foi atingido tanto fisicamente com o tremor de terra quanto no seu cerne político e institucional. E agora?
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