Editorial

Avanço insuficiente

Inauguração de duas estações da Linha 2 do metrô evidencia atraso histórico da mobilidade urbana de Belo Horizonte
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Avanço insuficiente
Foto: Diário do Comércio/ Juliana Sodré

A inauguração de duas estações do metrô de Belo Horizonte na semana passada, marcando o início das operações da linha 2, é um fato que deve ser comemorado pela sociedade. Porém, uma celebração que necessariamente nos traz reflexões sobre os caminhos da mobilidade urbana na Grande BH e de como estamos atrasados quando o assunto é transporte público.

As estações Nova Suíça e Amazonas, abertas ao público na sexta-feira (3), fazem parte do ramal que levará o tão sonhado metrô ao Barreiro, com previsão de conclusão em 2028. A expansão do sistema vai ampliar a capacidade dos atuais 93 mil passageiros/dia para 200 mil passageiros diariamente.)

Apesar disso, não podemos deixar de destacar que o início da operação de uma segunda linha do metrô da Capital ocorreu quase quatro décadas após a inauguração. Não é possível considerar aceitável uma demora tão grande para ampliar um sistema tão importante para a mobilidade urbana – claro que algumas outras obras, como a expansão da linha 1 até o Vilarinho ocorreram nesse período.

Com o trânsito cada vez pior, as soluções para o transporte público na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) estão saindo do papel a conta-gotas. Boas alternativas chegam a ser apresentadas, mas ficam pelo caminho. Um exemplo foi a possibilidade de implantar um sistema de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) na cidade e até mesmo criar um ramal até o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins. Projetos que surgiram para atender à demanda prevista para a Copa do Mundo de 2014, mas que não foram levados adiante.

O atraso fica ainda mais evidente quando Belo Horizonte é comparada a outras grandes metrópoles brasileiras. São Paulo possui a maior rede de metrô do País e continua expandindo suas linhas, enquanto o Rio de Janeiro, apesar dos desafios, consolidou um sistema integrado ao transporte ferroviário e aos corredores de ônibus. Em ambas as cidades, o transporte sobre trilhos ocupa papel estratégico na mobilidade urbana. Na capital mineira, por outro lado, a dependência do ônibus e do transporte individual continua predominante, reflexo de décadas de investimentos insuficientes e de projetos interrompidos ou adiados.

A entrega das novas estações representa um importante passo para mudar essa realidade, mas precisa ser encarada como o início de um processo, e não como seu ponto de chegada. A conclusão da linha 2 e a discussão sobre futuras expansões, incluindo novos ramais, devem permanecer como prioridade dos governos. Uma região metropolitana com aproximadamente 6 milhões de habitantes não pode conviver com uma estrutura de transporte incompatível com seu tamanho e sua importância econômica. A capital mineira já esperou tempo demais para avançar.

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