Gestão perde jogo
A derrota da Seleção Brasileira para a Noruega no domingo (5) não deve ser vista apenas como mais um tropeço em campo. O Brasil, por décadas reconhecido como a maior referência do futebol mundial, hoje se encontra em igualdade e, em certos momentos, até abaixo de seleções que antes dificilmente estariam no mesmo nível. O problema não é falta de talento. Ele continua existindo. Mas talento, sem organização, planejamento e boa gestão, deixa de ser diferencial.
O futebol brasileiro há muito tempo se apoia no peso da própria história. A camisa ainda impõe respeito, os jogadores continuam valorizados no mercado internacional e a lembrança das grandes conquistas segue viva. Mas prestígio não ganha jogo. Como acontece nas empresas, nos governos e nas instituições, a reputação construída ao longo do tempo pode até abrir portas, mas não sustenta liderança quando falta capacidade de execução.
Enquanto o Brasil confiou demais na própria tradição, outros países investiram em formação, ciência esportiva, métodos de treinamento, análise de desempenho e continuidade de projetos.
Para agravar esse cenário, o País atravessa um período turbulento dentro de sua principal entidade do futebol, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Nos últimos anos, o noticiário foi dominado por escândalos, trocas de presidentes e mudanças frequentes na condução técnica da Seleção. É a combinação ideal para resultados ruins dentro de campo.
A lição vai além do esporte. Em várias áreas, o Brasil costuma agir como se vantagens históricas fossem garantias permanentes. No futebol, isso aparece na tradição. Na economia, pode estar nos recursos naturais, no tamanho do mercado consumidor ou na força de setores já consolidados. Nada disso, no entanto, substitui gestão. Sem planejamento de longo prazo, governança, metas bem definidas e cobrança por resultados, qualquer liderança se enfraquece.
A derrota para a Noruega não apaga a grandeza da Seleção Brasileira. Mas funciona como sinal de alerta. O mundo evoluiu, se profissionalizou e aprendeu a competir. O Brasil ainda tem talento de sobra para voltar ao topo, mas precisa entender que nenhum patrimônio histórico se sustenta por conta própria. No futebol, como na economia, vence quem administra melhor – não quem apenas se apoia no passado.
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