Descentralizar para governar
Em entrevista exclusiva ao Diário do Comércio, publicada em 1º de julho, o pré-candidato ao governo de Minas pelo MDB, Gabriel Azevedo, apresentou a descentralização administrativa como marca central de um eventual mandato. A proposta de criar dez governos regionais nos primeiros 100 dias, com redução de cargos comissionados na Capital para reforçar o interior sem aumento de gastos, resume o diagnóstico do candidato: Minas Gerais é grande e diversa demais para ser administrada apenas do Palácio Tiradentes.
Gabriel Azevedo constrói sua candidatura sobre a experiência acumulada em 20 anos de vida pública, desde a subsecretaria de Juventude no governo Anastasia até a presidência da Câmara Municipal de Belo Horizonte. Essa trajetória aparece também na formação de um time técnico anunciado durante a entrevista, com nomes como o economista Marcos Lisboa para a pasta socioeconômica e os ex-secretários Marcos Pestana e Antônio Jorge para a reorganização da atenção primária em saúde. O gesto de anunciar publicamente a composição da equipe, incluindo a menção direta ao desmentido dado pela professora Renata Vilhena sobre sua participação no plano de governo de Alexandre Kalil, é também uma tentativa de diferenciação em um cenário eleitoral marcado por disputas de bastidores.
No campo da infraestrutura, o pré-candidato defende a criação de um fundo público de manutenção viária atrelado à mineração, mudanças na lei de licitações para priorizar qualidade sobre menor preço, e a retomada do modal ferroviário, tanto para cargas quanto para passageiros, incluindo a ligação Belo Horizonte-Juiz de Fora e corredores na região metropolitana. A proposta de instituir as regiões metropolitanas do Triângulo e da Zona da Mata, somada ao bilhete único metropolitano, indica a preocupação com a mobilidade como fator de produtividade econômica.
Chama atenção o posicionamento de Gabriel Azevedo contrário às privatizações da Copasa e da Cemig, na direção oposta à do governo Simões. Sua crítica não é à iniciativa privada em si, mas à ausência de regras claras sobre a destinação dos recursos da venda da Copasa e à falta de transparência na gestão da Cemig SIM. A defesa de produção local de painéis fotovoltaicos em parceria com a UEMG, aproveitando a matéria-prima mineira hoje exportada como commodity, reforça sua leitura de que o estado precisa agregar valor local aos seus recursos naturais, argumento que também aparece na sua proposta para lítio, nióbio e terras-raras.
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