O desafio do próximo ciclo
Em entrevista exclusiva ao Diário do Comércio, publicada em 30 de junho, o governador Mateus Simões apresentou o que pretende ser o eixo central de um eventual segundo mandato: elevar a renda média do mineiro. Depois de dois governos dedicados, respectivamente, a equilibrar as finanças públicas e a reduzir o desemprego, o pré-candidato à reeleição sinaliza que a próxima etapa passa por infraestrutura, energia e qualificação técnica, os três pilares que, segundo ele, ainda mantêm Minas Gerais na nona posição entre os estados com maior renda média do País.
A ambição não é pequena e o diagnóstico tem lógica. Com desemprego em 3,8%, o segundo menor índice do País, o Estado já demonstrou capacidade de gerar ocupação. O gargalo, agora, é a qualidade dessa ocupação e sua capacidade de gerar renda. Nesse sentido, os R$ 8,3 bilhões captados com a privatização da Copasa, destinados a investimentos em água, esgoto, segurança e habitação, aparecem como o principal instrumento financeiro do governo para destravar obras represadas, sobretudo em rodovias estaduais negociadas diretamente com prefeitos e deputados.
Chama atenção a diferenciação que o governador faz entre Copasa e Cemig. Enquanto a primeira foi tratada como modelo de privatização bem-sucedida, a segunda segue no radar da modernização, sem venda da participação estadual. A atenção recai sobre a Gasmig e sobre o biometano, com o gasoduto do Triângulo Mineiro recebendo aporte de R$ 1 bilhão e um novo trecho projetado entre Bragança Paulista e Pouso Alegre.
O Rodoanel de Belo Horizonte, orçado em R$ 12 bilhões e travado por uma autorização federal pendente há sete anos, volta a ser citado como obra estruturante para devolver à Capital sua condição de hub logístico. A cobrança ao governo federal, aliás, é recorrente na entrevista, seja em relação às concessões de rodovias federais, seja quanto à dívida estadual com a União, tratada por Simões como um passivo equacionado, mas oneroso.
Fica evidente, na entrevista, o esforço do governo em construir uma narrativa de continuidade: dos ajustes fiscais de 2019 à geração de empregos, chegando agora à promessa de renda. Falta saber se o próximo mandato, seja de Simões ou de outro nome, conseguirá transformar litígios pendentes, como o do Rodoanel, e apostas de médio prazo, como o biometano, em resultados concretos para o bolso do mineiro. A régua que o próprio governo escolheu, a comparação com outros estados em renda média, é exigente e pública. Caberá ao eleitor mineiro acompanhar se as promessas de infraestrutura, energia e qualificação avançam na velocidade anunciada.
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