Indústria Inteligente

Em celulose e papel, a floresta abre a vantagem e a visão sistêmica sustenta a margem

Setor no Brasil encerrou 2025 com recordes históricos
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O setor brasileiro de celulose e papel encerrou 2025 com recordes históricos. A produção de celulose alcançou 29,4 milhões de toneladas, alta de 6,9% sobre o ano anterior, enquanto as exportações somaram 20,7 milhões de toneladas, avanço de 11,6%. Já o papel manteve a produção em 11,3 milhões de toneladas, com exportações 4,8% maiores. Os resultados consolidam o Brasil como maior exportador mundial de celulose. Ainda assim, uma questão permanece: a vantagem florestal, sozinha, já não sustenta a margem.

A vantagem mudou de lugar

O bom desempenho convive com um ciclo de preços em baixa. A expansão da capacidade produtiva, a instabilidade comercial e o avanço da produção integrada na China mantêm o mercado pressionado. A decisão da finlandesa UPM de paralisar temporariamente uma de suas fábricas a partir de agosto mostra que plantas menos eficientes ou mal posicionadas logisticamente deixam de ser competitivas quando a margem aperta.

Para o Brasil, o efeito é duplo. Há oportunidade de ampliar participação de mercado com ativos mais modernos, mas permanece a pressão para reduzir o cash cost, ou custo de caixa. É nesse ponto que a competitividade precisa ser analisada de forma mais ampla. O ciclo curto do eucalipto continua sendo um diferencial estrutural, mas já não basta. Hoje, a vantagem competitiva depende da integração entre logística, fornecedores locais, disponibilidade energética, confiabilidade dos ativos e digitalização da cadeia produtiva.

Nesse cenário, o indicador decisivo deixa de ser apenas o custo de produção e passa a ser o custo por tonelada entregue ao cliente. Isso exige tratar disponibilidade dos ativos críticos, redução de perdas, produtividade florestal e eficiência logística como prioridades estratégicas.

A cadeia local de fornecedores ganha peso nessa equação. Desenvolver parceiros próximos às plantas reduz lead time e custos logísticos e de manutenção. Ao mesmo tempo, exige programas estruturados de desenvolvimento, com indicadores claros de prazo, qualidade, segurança e custo.

O mesmo vale para os investimentos. Projetos de capex precisam priorizar ganhos efetivos de produtividade, confiabilidade operacional e eficiência logística, especialmente na infraestrutura de escoamento. Os investimentos anunciados pelo setor só produzirão o retorno esperado se forem executados com disciplina e alinhamento.

Preparação para o próximo ciclo

A principal incerteza continua sendo o equilíbrio entre demanda internacional e expansão da capacidade produtiva. No médio prazo, porém, os ativos brasileiros integrados, com escala e base florestal competitiva, devem permanecer entre os mais eficientes do mundo. Até que o ciclo de preços volte a favorecer o setor, disciplina na gestão, produtividade e excelência na execução continuarão sendo os fatores que transformarão eficiência operacional em rentabilidade.

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