Da Europa para o Brasil
Com uma temperatura de 40 graus C, os ônibus sem ar-condicionado, um sol de rachar, a salvação são os museus parisienses como a exposição de Matisse e de Caldear, entre outros, mas tão lotados de visitantes que não se sabe onde está mais quente, dentro ou fora. Mas, imperdíveis. A Copa com horários para europeu não acordar cedo, entusiasma, assusta pelos resultados inesperados, mas definitivamente o Brasil só é estrela pelos jogadores individuais que jogam ou jogaram por aqui, e rendem publicidade. Mas, a seleção canarinha não é a grande esperança. Nem mesmo canarinha é mais.
Mesmo com o verão ardendo, além das peles brancas dos banhistas, as florestas em chamas, a política européia não dorme. Na França, as eleições presidenciais no próximo ano determinam as ações agora. A reunião do G7, em Versailles, foi um show de Trump sobre o “fim da guerra” com o Irã. E nada de aproveitável sobre o estado da economia mundial abalada pelo conflito, que aparentemente acalmou os mercados de petróleo, mas deixou sequelas ainda não medidas, inclusive para os países emergentes.
Um conflito que só deixou perdedores, mas no fundo parece que nem em 49 anos de regime xiita no Irã o mundo ocidental conseguiu achar um equilíbrio nas suas relações, nem vai achar nos próximos 50. Simplesmente, não é que o governo dos clérigos iranianos seja forte por si só, em parte sim, mas principalmente porque no jogo geopolítico convém a alguns países, que assim tenha sido e assim seja. E dane-se Israel, agora enfant terrible, defendendo-se (conseguimos entender isso assim?), destruindo o sul do Líbano. Gaza ainda em conflito, Ucrânia com mais intensidade bélica, conflitos na África.
Aí, vale a pena ver o filme De Gaulle, sobre como o general lutou para manter a França, invadida pelos alemães e dividida, parte do governo em Vichy, aliado aos nazis, com o país lutando pela sua liberdade. É uma lição de geopolítica, que bem se aplica a como as potências agem dentro, e somente dentro dos seus interesses. Realpolitik, crua, nua e cruel.
Enquanto no filme se mostra um Reino Unido sob a liderança de Churchill, resistente e lutando contra Hitler, esse império, nesta semana, trocou seu primeiro-ministro pela oitava vez em dez anos. A primeira-ministra da Itália, que antigamente trocava de chefes de governo como quem troca de camisa, no poder desde 2022, viu passar na sua frente quatro colegas britânicos. E nessa onda de instabilidade política e econômica, faz dez anos da saída da ilha da União Europeia, chegando-se à conclusão de que foi um erro estratégico, que só enfraqueceu a antiga potência mundial.
E a vitória da direita na Colômbia e no Peru, mudanças radicais na economia cubana, só levam a uma pergunta por aqui: e o Brasil?
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