No voto, a esperança

Polarização, promessas vazias e desinformação prejudicam o debate sobre os reais desafios do Brasil
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No voto, a esperança
Crédito: Rafael Henrique/ Adobestock

Cumprida mais uma etapa do processo eleitoral, com formalização das chapas que concorrerão a cargos majoritários, presidente da República e governos estaduais, ainda permanece no rastro desses movimentos a sensação de inquietante vazio. Tanto de ideias quanto de propósitos, num quadro repetitivo, já bem conhecido, em que tudo, ou quase tudo, parece estar resumido à capacidade de dizer o que o eleitor deseja ouvir, com o marketing político monitorando pesquisas para assim facilitar o processo de captar votos. Restando assim aos eleitores, aqueles que estarão diante das urnas no próximo mês de outubro, mesmo que desinformados, a tarefa de fazer escolhas que para o bem ou para o mal condicionarão o futuro de todos nós.

São desajustes, cabe assinalar, a rigor perpetuados na cena política brasileira e agora mais visíveis, talvez até banalizados, por conta dos aparatos de comunicação que a tecnologia e eletrônica multiplicaram de forma exponencial. Nada que baste para preencher o vazio, ou elementar constatação de que continua faltando o principal. Por óbvio e em primeiríssimo lugar, projetos de gestão bem estruturados e que levem marcas de confiabilidade, de propósitos e compromissos que deveriam estar no primeiro plano, além de ser a maior e verdadeira, credencial dos candidatos. Sem lugar para promessas tão fáceis quanto vazias, onde não raro falta espaço até mesmo para a elementar verdade. Tudo num ambiente de mentiras banalizadas e assim transformadas em ferramenta de campanha à falta de bons argumentos.

Diante dos problemas e desafios que o País tem pela frente, tanto interna quanto externamente, um quadro que deveria estar no centro das atenções e das preocupações daqueles ainda comprometidos com a política entendida como expressão maior da própria cidadania, num passado que parece perdido no tempo em que era apontada como a mais nobre das atividades.

Não se trata, agora, apenas de constatar que distorções acumuladas também ajudaram a alimentar a polarização que num desenho quase caricato e ao gosto das preferências de cada um seria a luta do bem contra o mal. Ou a exacerbação de paixões ardilosamente alimentadas para produzir o efeito nefasto de apagar o debate e afastar discussões sobre o que somos como nação, o que desejamos ser ou o que poderíamos alcançar pela mão única do trabalho e da determinação. Em síntese, do que verdadeiramente importa.

Mas por maiores que possam ser os entraves a batalha não pode ser dada como perdida. Porque somos maiores e com o voto poderemos fazer a diferença em outubro, com escolhas que nos devolvam melhor crença no futuro.

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