O custo do atraso
A entrega da emblemática obra de revitalização da Praça do Papa, um dos principais cartões-postais de Belo Horizonte, abre espaço para discutir como dar mais eficiência aos investimentos de recursos públicos. O projeto de R$ 12 milhões foi iniciado em 2024 e passou por sucessivos adiamentos até ficar pronto na sexta-feira (7).
A revitalização da praça é um entre centenas, ou milhares, de exemplos de projetos públicos que não seguem o cronograma inicialmente proposto. O atraso na entrega das obras é uma constante quando se trata de intervenções realizadas com recursos públicos no Brasil.
Construções de viadutos, estradas e hospitais, entre outros empreendimentos, chegam a ser concluídas anos depois do prazo previsto. Esses atrasos custam caro à sociedade, pois podem resultar em aditivos contratuais e no aumento dos pagamentos às construtoras responsáveis. Além disso, o prejuízo é percebido nos impactos das obras sobre o dia a dia das cidades, como alterações no trânsito, restrições à circulação e perdas para comerciantes e prestadores de serviços.
Também não é raro que intervenções iniciadas fiquem pelo caminho. São milhões de reais em dinheiro público imobilizados em canteiros abandonados pelo Brasil, enquanto a população continua esperando pelos benefícios prometidos.
É necessário criar ferramentas para mudar esse cenário. Antes da contratação, os projetos precisam ser elaborados com maior rigor, contemplando custos, riscos e prazos realistas. Durante a execução, cabe ao poder público fiscalizar os contratos, cobrar responsabilidades e comunicar com transparência os motivos de cada eventual adiamento. Órgãos de controle, por sua vez, devem atuar preventivamente, e não apenas depois que os recursos foram desperdiçados.
Imprevistos técnicos podem ocorrer em qualquer obra e nem todo atraso decorre de negligência. Essa possibilidade, entretanto, não pode servir de justificativa automática para falhas de planejamento ou sucessivas prorrogações.
A renovação da Praça do Papa deve ser celebrada por devolver à população um espaço de grande valor afetivo, turístico e paisagístico. Mas sua demorada conclusão também precisa deixar um aprendizado. Administrar bem o dinheiro público significa não apenas entregar obras de qualidade, mas executá-las com planejamento, transparência e respeito aos prazos assumidos com a sociedade.
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