Caminhando sem direção

Crise no STF desvia o foco em plena reta final das eleições
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Caminhando sem direção
Foto: Reprodução Adobe Stock

Faltando duas semanas para a realização do primeiro turno da eleição presidencial e, simultaneamente, renovação do Legislativo, as atenções da maioria dos brasileiros parecem voltadas para outra direção, precisamente para o Supremo Tribunal Federal (STF), palco de acontecimentos de extrema gravidade e ainda por esclarecer. Há quem acredite que a movimentação das últimas semanas possa estar conectada à votação, pode mesmo ter sido clara tentativa de influir nos resultados. Tudo ainda por ser melhor esclarecido e na esperança de que deste processo resulte algo como a higienização que se evidencia como da mais urgente necessidade. E não exatamente por conta dos interesses em conflito ou dos desvios que vieram à tona e em proporções verdadeiramente escandalosas.

Trata-se, essencialmente, de devolver ao Judiciário a credibilidade destroçada, o que demanda esforço bem maior que eventual punição de personagens cuja culpabilidade venha a ser determinada com necessária e cirúrgica precisão. Bem mais que simplesmente desnudar as relações impertinentes – para dizer o mínimo – de magistrados com o banqueiro que hoje também está no centro das atenções por conta de seus mal feitos e de sua habilidade em tecer teias de proteção para seus negócios com certeira precisão e nos mais altos escalões das três esferas do poder. Cabe determinar, e igualmente com pontaria acurada como e porque tudo aconteceu, sem qualquer espaço para o esquecimento que adiante levaria à impunidade, em nosso país, o principal nutriente da corrupção.

Seguir nessa direção é, portanto, hipótese que definitivamente não combina com os discursos indignados que têm sido ouvidos, inclusive, em palanques, ou com a conclusão de pesquisas de opinião que situam a corrupção no plano das maiores preocupações dos brasileiros na atualidade. Muito mais, muitíssimo mais, que apontar culpados ou, no extremo, cortar cabeças, apenas para repetir o faz de conta para garantir que as mudanças reclamadas não aconteçam e, dessa forma, o terreno baldio da política permaneça intocado e bem protegido.

Uma acomodação de conveniência que a própria lentidão do STF na tomada de posição e consequentes providências podem sugerir neste momento. Tudo para que a ampla reforma política que deveria ter sido o primeiro e natural desdobramento da redemocratização continue esquecida, posta de lado por inutilidade, pelo menos, na perspectiva daqueles que têm tirado proveito do vazio assim estabelecido. E como se fosse possível, hoje, escapar do entendimento de que o desafio da reforma possa ter caducado diante da imposição de uma reconstrução completa.

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