Aos 94 anos, Diário do Comércio revisita as campanhas que ajudaram a moldar Minas
O Diário do Comércio completa 94 anos de circulação neste domingo (18). Ao longo dessa trajetória, consolidou-se como o principal veículo especializado em economia, gestão e negócios de Minas Gerais e acompanhou de perto momentos decisivos para o desenvolvimento econômico do Estado.
O jornal nasceu em 1932, em Belo Horizonte, com o nome de “Informe Comercial”. Fundado pelo empresário José Costa, era um boletim mimeografado que listava as mercadorias que saíam e chegavam à estação ferroviária da Capital, atendendo a uma demanda dos comerciantes.



Para o presidente do conselho gestor do jornal, o jornalista Luiz Carlos Motta Costa, filho do fundador, uma das principais contribuições do periódico para a economia mineira foi estimular o empresariado local a reconhecer as potencialidades do Estado e as suas próprias. Ele cita também a defesa de uma prosperidade partilhada, com justiça social.
“Nossa contribuição é sempre no plano da economia, pois o sentido da economia é gerar prosperidade bem partilhada e melhores condições de vida para todos. O Diário do Comércio tem sido fundamental nesse papel aqui em Minas, pela interação que teve ao longo de todo esse tempo com as entidades de classe”, diz.
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Como exemplo, Motta Costa lembra os esforços para implantar no Estado uma indústria capaz de explorar toda a cadeia do minério de ferro, com o objetivo de agregar valor às riquezas da região, sobretudo às minerais. “Isso é um processo contínuo e continuado, que não para nunca”, completa.

O jornalista recorda que, nos anos 1930, quando o Diário do Comércio surgiu, a economia brasileira era essencialmente agrária e totalmente dependente de importações. Na avaliação dele, o cenário atual representa um enorme salto em relação àquele período, ainda que não seja o ideal para muitos.
“Muitas vezes nós não percebemos e acabamos criando um sentimento de derrota ou de fracasso, mas se olharmos para trás e comparar veremos que avançamos muitíssimo e, se Deus quiser, vamos avançar muito mais no futuro, pois há muita coisa a ser feita”, ressalta.
Campanhas pelo desenvolvimento de Minas Gerais
Segundo Motta Costa, o jornal sempre buscou amplificar as demandas e as possibilidades de desenvolvimento econômico, papel que, na avaliação dele, vem cumprindo. Nessas nove décadas, o Diário do Comércio acompanhou de perto os acontecimentos mais relevantes para a economia mineira, entre eles a fundação da Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas), da Aço Minas Gerais (Açominas), hoje Gerdau Açominas, da Vale e da Petrobras.
“Nós estivemos muito próximos dessas grandes iniciativas que continuam tendo enorme repercussão no Estado e no País e isso é muito reconfortante, pois é um sinal de que cumprimos aquilo que entendemos como nosso dever”, completa.
A criação de um grande polo siderúrgico em Minas foi uma das maiores campanhas da história do jornal, que no fim dos anos 1960 liderou por muito tempo a defesa da viabilidade de uma nova usina no Estado. O resultado foi a construção da Açominas, em Ouro Branco, na região Central.
Outro marco para a indústria mineira foi a inauguração da fábrica da Fiat em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), em 1976. O jornal apoiou e divulgou os esforços da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e do Sesi Minas para qualificar a mão de obra local e estruturar toda a cadeia de fornecedores da montadora italiana.
O Diário do Comércio também acompanhou grandes transformações da economia, como o processo que levou ao Plano Real, em 1994, e as privatizações da Usiminas, em 1991, da Vale, em 1997, e, mais recentemente, da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), concluída em junho deste ano.



Longevidade de 94 anos
Motta Costa ressalta que chegar aos 94 anos é um marco de longevidade que poucas empresas alcançam. Entre os fatores que explicam essa trajetória, ele destaca os profissionais que passaram pelo jornal e contribuíram para as transformações da redação, como o jornalista Guy de Almeida, que trabalhou no veículo na década de 1970, e a identificação que todos eles sempre demonstraram com o propósito da empresa. “A causa era comum, todos tinham o mesmo entendimento e o mesmo objetivo”, diz.
Entre os marcos da evolução do jornal, ele cita os avanços no processo de produção, que aumentaram o volume e a agilidade na entrega das edições. O Diário do Comércio foi um dos primeiros jornais do Brasil a adotar a impressão offset, nos anos 1960.
Desde que começou na profissão, em 1968, Motta Costa acompanhou todas as grandes mudanças na produção das edições impressas, da composição a quente à composição a frio e aos atuais processos digitais. “Eu tive a sorte de trabalhar com cada uma dessas etapas”, declara.
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Para o presidente do conselho, os avanços tecnológicos do setor representaram uma espécie de revolução industrial e, consequentemente, uma revolução na entrega das notícias. A internet passou a permitir a entrega quase instantânea da informação e mudou a forma como o jornalismo é praticado.
“O ontem agora é muito velho. Os jornalistas têm que tentar antecipar o significado dos acontecimentos, olhando sempre para frente, o que é algo fascinante”, avalia.

Do mimeógrafo ao jornal
Em entrevista ao especial de 90 anos, produzido em 2022, Motta Costa contou que algumas das primeiras edições tinham apenas uma capa fixa com anúncios, e o restante era ocupado pelos manifestos de carga. O formato de jornal convencional veio com o tempo, à medida que notícias e editais passaram a preencher os espaços que sobravam nas páginas.
A grande virada, segundo ele, ocorreu no fim dos anos 1940, quando o jornal deixou de ser mimeografado e passou a ser impresso. “Foi na virada dos anos 1940 para 1950 que ele (o Diário do Comércio) ganhou o formato de jornal com articulistas, reportagens e ainda com os manifestos de carga, que ainda eram importantes”, relatou.
Na mesma entrevista, lembrou que, na visão de seu pai, a solução para os problemas da época estava no desenvolvimento econômico do País e de Minas. Esse posicionamento fez do Diário do Comércio uma referência para empresários, executivos e profissionais liberais do Estado.
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