Economia

Privatização da Copasa é concluída na B3; Equatorial assume 30% da companhia

A Fundos Perfin adquiriu outros 12% da empresa de saneamento mineira; recursos obtidos com a privatização serão destinados à redução da dívida do Estado e ao Propag
Atualizado em 16 de junho de 2026 • 14:06
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Privatização da Copasa é concluída na B3; Equatorial assume 30% da companhia
Foto: Divulgação Copasa

Após 52 anos como estatal, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) teve sua privatização concluída nesta terça-feira (16) na Bolsa de Valores brasileira (B3), em São Paulo. Criada em 1974 como uma empresa de economia mista controlada pelo governo de Minas, a história da companhia é ainda mais antiga: remonta a 1963, quando foi criada a Companhia Mineira de Água e Esgoto (Comag), versão embrionária do que viria a se tornar a Copasa.

Com o encerramento do processo de privatização, a Equatorial Energia, empresa de origem maranhense, foi oficializada como investidora de referência da companhia, por meio da Gerais Saneamento, controlada pelo grupo. A operação ocorreu por meio de um follow-on (oferta subsequente de ações), modalidade em que uma empresa já listada na Bolsa realiza uma nova oferta de papéis ao mercado.

“Temos um enorme prazer em iniciar essa trajetória em Minas Gerais, um estado de grande relevância econômica, social e cultural para o Brasil. Chegamos a Minas com muito respeito pela trajetória da Copasa e pelo que ela representa para os mineiros. Para a Equatorial, este é um passo muito importante de uma jornada de mais de 20 anos, construída com disciplina, capacidade de execução e visão de longo prazo”, comemorou o CEO da empresa, Augusto Miranda da Cruz.

O acordo envolveu um aporte de R$ 5,5 bilhões para a aquisição de 30% do capital social da Copasa, ao preço de R$ 49,03 por ação, no âmbito da oferta pública secundária de ações ordinárias. O investimento poderia alcançar R$ 7,9 bilhões caso a participação fosse ampliada para 42,62%, mas isso não aconteceu. Outra investidora, a Fundos Perfin, adquiriu 12,76% de ações diretas da companhia. Com o montante total das ações vendidas, o valor ultrapassa os R$ 8 bilhões.

A presidente da Copasa, Marília Melo, ressaltou que a atração de investidores qualificados reforça que a companhia está preparada para o novo ciclo de crescimento de geração de valor e ainda confere a Copasa um selo definitivo de maturidade corporativa e de governança.

“Tudo isso demonstra que estamos no caminho certo, construindo uma empresa sólida, transparente e preparada para o desafio e o futuro. Mas esse novo modelo societário que resulta dessa oferta, tem um propósito muito maior. Honrar o nosso compromisso inegociável com a universalização do saneamento básico no estado de Minas Gerais”, pontuou.

Na última semana, a Equatorial já havia sido selecionada no processo que culminou na privatização da companhia. Com a operação, o governo de Minas reduziu sua participação de 50,03% para 5% do capital social da empresa, mantendo, contudo, poder de veto em determinadas decisões estratégicas (golden share). Este é o marco definitivo da desestatização da companhia. A estrutura societária passa a ser composta por 30% de participação da Equatorial, 5% do governo estadual e 65% dos demais acionistas.

A Secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Sede-MG), Mila Corrêa, lembrou do processo: “Foi intenso e complexo desde a elaboração e tramitação do projeto de lei na Assembleia. O sucesso dessa operação reflete o compromisso do governo do Estado, não só com a universalização do saneamento, mas com o desenvolvimento econômico e social, que vai ser marcado principalmente pelos importantes investimentos que serão feitos a partir desse processo que foi construído até aqui na área nas áreas de infraestrutura, educação e segurança pública”.

Vale lembrar que metade das ações possui restrição de venda por quatro anos, até junho de 2030. Já a outra metade está sujeita a um período de lock-up (mecanismo que impede a venda dos papéis) até dezembro de 2033 ou até que as metas de universalização do saneamento sejam atingidas.

Toque de campainha na BR, em São Paulo, oficializa a privatização da Copasa.
Foto: Reprodução Youtube B3

O CEO da B3 também comemora a transação. “É um exemplo de operação que toda a administração pública deveria seguir com um volume captado de mais de R$ 8 bilhões com a distribuição de ações de titularidade do Estado de Minas Gerais, operação que tornou possível a privatização desta companhia. Esse movimento mostra a força do mercado de capitais como fonte de financiamento, uma forma também de criar oportunidade dentro do País e planos para empresas que geram um impacto positivo dessa ordem no Brasil”.

A oferta foi coordenada pelo Banco BTG Pactual S.A. e contou com a participação do Itaú BBA Assessoria Financeira S.A., Bank of America Merrill Lynch Banco Múltiplo S.A., Citigroup Global Markets Brasil Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários S.A. e UBS BB Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários S.A.

Mateus Simões fala sobre tarifas ao consumidor

Para encerrar o evento que oficializou a privatização da companhia, o governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), procurou tranquilizar a população em relação a eventuais aumentos nas tarifas. “Esse processo foi feito com foco na qualidade de vida das pessoas. Nunca foi sobre vender a participação de Minas, mas sim sobre garantir a universalização dos serviços”, afirmou.

Segundo o governador, as tarifas continuarão sendo reguladas pela Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário de Minas Gerais (Arsae-MG). “Isso não muda”, afirmou.

“A agência reguladora continua tendo o papel de definir regras, fiscalizar a prestação dos serviços e proteger o consumidor. O governo de Minas mantém o direito de veto em decisões estratégicas sempre que o interesse público e a proteção dos mineiros estiverem em jogo. Vamos continuar acompanhando e cobrando para garantir que o melhor serviço seja prestado à população”, pontuou.

Equatorial amplia presença em infraestrutura e saneamento

A Equatorial Energia é o terceiro maior grupo de distribuição de energia elétrica do Brasil em número de clientes. Fundada em 1999, a companhia avançou na consolidação do setor de distribuição de energia no País e atualmente opera sete concessionárias, nos estados do Maranhão, Pará, Piauí, Alagoas, Rio Grande do Sul, Amapá e Goiás, atendendo cerca de 13 milhões de clientes nessas regiões.

Ela também participou do processo de desestatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), a maior companhia de saneamento do Brasil, tornando-se investidora de referência, assim como no caso da Copasa. A privatização da Sabesp foi concluída em julho do ano passado, e a empresa obteve 15% da companhia de saneamento em um investimento de cerca de R$ 6,9 bilhões.

A Equatorial ingressou no setor de saneamento recentemente, tornando-se a primeira empresa multiutilities do País. Além disso, ela adquiriu 100% da Echoenergia S.A., ampliando sua atuação em energias renováveis e consolidando-se como um player integrado no segmento de infraestrutura e energia.

Entenda o processo de privatização da Copasa

O processo de privatização da Copasa, concluído nesta terça-feira (16), avançou ao longo dos últimos meses. Em maio deste ano, o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) autorizou o prosseguimento do processo de desestatização após concluir que o governo estadual e a companhia haviam cumprido todas as exigências legais estabelecidas pelo órgão de controle.

A decisão permitiu o avanço para a fase final, que incluía a oferta pública de ações e a transferência do controle acionário para a iniciativa privada.

Já em junho, o governo de Minas aprovou o preço de R$ 49,03 por ação na oferta pública secundária da companhia, operação que definiu a Equatorial como investidora de referência, com a aquisição de 30% do capital social da estatal por meio da Gerais Saneamento.

A privatização foi autorizada pela Lei Estadual nº 25.664/2025, que determina que os recursos arrecadados sejam destinados prioritariamente à amortização da dívida do Estado e a outras obrigações previstas no Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), do governo federal.

Em janeiro de 2026, as ações ordinárias da companhia (CSMG3) passaram a integrar o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, reforçando a relevância da empresa no mercado de capitais às vésperas da privatização.

No primeiro trimestre deste ano, a companhia registrou lucro líquido de R$ 368,1 milhões e receita líquida de R$ 2,1 bilhões, resultado impulsionado principalmente pelo reajuste tarifário aplicado no início de 2026.

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