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Howard Hawks: a grande lição do cinema clássico hollywoodiano

Cineasta influenciou a Nouvelle Vague, e suas obras ainda ressoam hoje
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Eric Rohmer, uma das figuras centrais da Nouvelle Vague (Nova Onda) do cinema francês nos anos 1960, dizia que não poderíamos amar quaisquer filmes se não amássemos primeiro os de Howard Hawks.

​Em Os Homens Preferem as Loiras (1953), o dito de Rohmer é inescapável. Além de Marilyn Monroe e sua fascinação quase edipiana pelas joias, há uma Jane Russell em busca do amor eterno – e, se possível, de feições atléticas.

​Mas o que nos assombra nessa obra é a sua sensibilidade moderna, mesmo dentro dos padrões da consciência clássica de uma comédia musical dos estúdios da Fox. É um bálsamo pegar esse filme, de formato hoje desconfortável, para escapar do besteirol opressivo que assola Hollywood atualmente.

​Hawks integrou à corrente mestra do cinema pipoca – esse cinema atemporal e que tudo abrange -, sem estar pendurado como um porco de ponta-cabeça a qualquer dito ideológico. Fugiu das patrulhas da mediocridade e, ao mesmo tempo, do inconformismo. Da codireção na ficção científica O Monstro do Ártico (1951) ao faroeste de Rio Vermelho (1948), com o anti-herói John Wayne e um ascendente Montgomery Clift, resistia ao convencional e não fazia concessões.

​Lá atrás, em Levada da Breca (1938), há um cientista genial e um tanto aéreo, às turras com uma moça pra lá de estabanada. São os insubstituíveis Grant e Katharine Hepburn. Cary tem planos; Hepburn põe tudo a perder. Enfim, uma comédia das mais hilárias. E é também o cinema mais profundo que existe.

​Seu Scarface: A Vergonha de uma Nação (1932) conta a saga da ascensão do gângster Toni Camonte, com destaque para o caráter em desvario puro do personagem e o amor incestuoso pela irmã.

​À Beira do Abismo (1946), filme da Warner, noir dos bons, promove o encontro entre Lauren Bacall e Humphrey Bogart, mas também entre Raymond Chandler, autor da história, e William Faulkner, roteirista.

​Os franceses, portanto, a panelinha do Cahiers du Cinéma foram os primeiros a perceber que em suas obras havia um timbre que ressoava além dos muros limítrofes dos estúdios. O grande segredo de Hawks: transformar os filmes, alguns destes ligeiros e alguns esquecíveis, em verdadeiros bastiões do cinema.

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Sobre o autor

Thiago Barcellos

Cineasta, crítico de cinema e mestre em artes. Pesquisa o cinema a partir das narrativas audiovisuais e de suas construções estéticas e afetivas, com foco na linguagem e na experiência do olhar.

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