Voto de qualidade
Um sistema político saudável e verdadeiramente democrático, em que todos os setores da sociedade estejam bem representados, tem tais valores assentados no Legislativo. Ali se realiza, melhor dizendo, deveria se realizar, verdadeira e plena representação de toda a sociedade, expressando de forma adequada, com equilíbrio, suas aspirações. Perceber o que seria adequado nos faz enxergar o quanto ainda estamos distantes do ideal. Uma reflexão absolutamente obrigatória quando se aproxima o momento da escolha, hora que deveria ser de apontar os melhores dentre os melhores.
Como a ordem natural das coisas não tem sido respeitada, o ideal também se distancia, sendo oportuno lembrar que parâmetros elementares de avaliação apontam a atual legislatura como a pior de todas. Parâmetros técnicos, num nível elementar, que consideram pontos sobre os quais não caberia discussão, da mera presença às sessões plenárias, passando pela pontualidade, participação e comportamento. O trivial que não é alcançado já bastaria para avaliações que assim não precisariam chegar a valores mais elevados, à intimidade ética de quem usurpa, subtraindo o sentido mais legítimo da política e da vida pública.
A quem vota e ironicamente quase sempre pontua que não compactua com o que se passa, que enche a boca para proclamar valores que nessas condições podem se confundir com mera retórica, cabe recordar agora como e porque cada um dos senhores vereadores, deputados estaduais e federais ou senadores foi levado à cadeira que ocupa. Mesmo que essa caminhada aparentemente vitoriosa possa ter sido facilitada por alguns truques, elementarmente a escolha dos tais candidatos que “puxam” votos e, eleitos, levam juntos gente que, de outra forma, não teria sucesso.
É precisamente nesse ponto que começa o triste espetáculo de tão baixa qualidade, assombrando aqueles que ainda acreditam que o espaço da política poderia e deveria ser ocupado simplesmente pelos melhores. Aqueles vocacionados e verdadeiramente comprometidos com o serviço público, com o sentido do dever que a condição lhes impõe. E fechando, assim, os espaços que acabam preenchidos por alguns dos espertalhões e aproveitadores que ajudam a tecer estas linhas enviesadas, aqueles dos quais é costume dizer que não têm currículos e, sim, folhas corridas.
Eis porque é fundamental que todos quantos ainda são capazes de enxergar a realidade desnudada entendam, simplesmente, que o voto de qualidade, fruto da informação, do conhecimento e da consequente responsabilidade, é o bastante para fazer a diferença, para nos devolver o futuro.
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