Itália reforça ofensiva ao mercado brasileiro
O Brasil amplia o consumo de vinhos justamente quando a Itália, maior produtora da bebida do mundo, procura novos caminhos. A coincidência ganha dimensão com o Acordo Mercosul–União Europeia, que prevê a redução gradual de tarifas e pode favorecer a entrada de produtos europeus por aqui. É juntar a fome com a vontade de comer. Ou melhor, de beber.
Há ainda outros fatores nesse caldeirão: além dos europeus estarem revendo seus hábitos de consumo ao beber menos, é preciso diversificar destinos de exportação num cenário internacional marcado pelas tarifas do governo de Donald Trump.
A aproximação é muito mais do que um cenário socioeconômico. Afinal, a Itália é um país que reúne uma das maiores variedades de uvas autóctones, uma produção plural e de alto nível. Sem contar que a harmonização é quase natural aqui no Brasil, já que sua culinária é totalmente familiar ao nosso paladar.
É desta forma que a ofensiva italiana ganha força.
A 5ª edição do I Love Italian Wines, promovido pela agência para a promoção no exterior e a internacionalização das empresas italianas (ITA – Italian Trade Agency) e o departamento para a promoção de intercâmbios da Embaixada da Itália, rodou quatro capitais brasileiras com 60 empresas, entre vinícolas e importadoras.
Entre os rótulos apresentados, havia opções que fogem do óbvio. Uma amostra de que a Itália não se resume aos clássicos.
De uma tradicional vinícola de Chianti, o Palmina Rosé di Riecine, safra 2022, elaborado 100% em cubas de concreto, chamou atenção pela proposta e por uma safra pouco usual para um vinho rosado.
Já o Sergio Zingarelli Chianti Classico Gran Selezione 2020, produzido na Toscana, representa a tradição. É um vinho de estrutura, com bom potencial de guarda.
Para experiências com uvas autóctones, como a Corvina, degustamos o Valpolicella Ripasso Denominazione di Origine Controllata Superiore, da Tenuta Vignega, do Vêneto. Com 13% de graduação alcoólica e passagem por madeira italiana, o Ripasso é elaborado a partir de uma segunda fermentação sobre as cascas e borras restantes da produção do Amarone.
De Abruzzo veio uma expressão da rusticidade de sua casta emblemática. O Montepulciano d’Abruzzo Filari in Costa, da Pesolillo, apresentou presença marcante de frutas negras, acompanhadas por notas de frutas vermelhas.
Inspirado no clássico corte de Bordeaux, o Caro Maestro IGP Terre Siciliane 2017 traz taninos presentes. Com passagem por madeira, o tinto siciliano oferece uma leitura própria de um estilo reconhecido mundialmente.
Para fechar, vou fazer uma inversão da lógica habitual das degustações e sugerir um vinho branco. O Pietro I IGT Lazio 2025 Bianco Bio, produzido com práticas orgânicas, traz frescor e boa estrutura para acompanhar pratos de peixes.
A escolha não foi casual. A Itália também se destaca pela extensão da produção orgânica e a diversidade não está apenas nas castas e nos territórios, mas também nas várias formas de produção.

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