Giro pelo mundo

Dos campeões em crescimento desconhecido

Ouvir a matéria 0:00 / 0:00

A Guiana, nosso vizinho ao norte, especificamente com Roraima, 800 mil habitantes, 214 mil km², tem crescimento do PIB este ano de 19%. Petróleo, investimentos estrangeiros . A Guiana não está sozinha nesse campeonato. A Irlanda, com investimentos de multinacionais, vai crescer 12.5 %. O Vietnam, a Etiópia, a Índia, Ruanda, Indonésia, Uzbequistão e Kazaquistão crescem entre 5.5% e 7.5 %.

O Bangladesh, que na década de 80 foi um dos países mais pobres do mundo, exportava 35 milhões de USD de roupa. Hoje, exporta 40 bilhões e a renda média cresceu de 600 dólares para 2.600. E esse salto aconteceu com a mudança da indústria têxtil para lá, modernização de equipamentos, créditos baratos e treinamento de de mão de obra. O país continua pobre, mas menos. E quem se beneficiou, além das marcas famosas que fabricam lá e vendem a preço de ouro nos países desenvolvidos? O Brasil, maior produtor mundial de algodão. E milhões de jovens que jogam com bolas feitas lá.

Cada país tem suas raizes ou bases de crescimento. Uma delas é o capital estrangeiro. Todos os campeões mencionados o recebem, mas ninguém mais do que o Brasil. A diferença é que nesses países o capital estrangeiro é destinado ao desenvolvimento. Todos eles fazem reformas do sistema econômico, menos burocracia, menos regulamentação, controle de inflação e de corrupção, melhor aproveitamento e crescimento do mercado doméstico e sobretudo estabilidade jurídica.

Bem, pode ser que nem tudo é tão brilhante como descrito, mas deve ser bem melhor do que na América Latina, onde, além da Guiana, o crescimento não chega nem aos pés dos países mencionados. E na Europa, além da Irlanda, só a Polônia terá um crescimento comparável com esses países campeões.

Não há uma fórmula única para o desenvolvimento. Cada país possui suas vantagens competitivas próprias. Mas, todos eles têm claro seu interesse nacional, sua visão de longo prazo, sua estabilidade política e jurídica. Outro ponto importante é que não medem o seu desenvolvimento econômico sem adicionar o crescimento de IDH, desenvolvimento humano.

E aí entram investimentos em educação e saúde. Na outra ponta, são importantes investimentos em infraestrutura, reduzir custos “Brasil”. E, last but not least, exportar matérias-primas, mas aumentar o processamento local delas. É o caso do níquel na Indonésia. E todos eles usam as tecnologias desde 5 G, IA, satélites e tudo mais, em extensão ilimitada. Vale a pena olhar por que eles conseguem essas taxas. de desenvolvimento e outros não.

Conteúdos publicados no espaço Opinião não refletem necessariamente o pensamento e linha editorial do DIÁRIO DO COMÉRCIO, sendo de total responsabilidade dos/das autores/as as informações, juízos de valor e conceitos divulgados.

Sobre o autor

Stefan Salej

Ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), empresário, analista da política internacional e presidente da Slovenian Global Business Network.

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas