Diversidade em Foco

Vale da Eletrônica: Hacktown 2026 deixa legado de inovação ancorada em diversidade e coletividade

O festival em Santa Rita do Sapucaí celebra 10 anos e mostra como a inovação é impulsionada pela união de perspectivas e pessoas
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Na semana passada, de 3 a 7 de setembro, aconteceu o HackTown e, este ano, teve um gosto especial de comemoração, pois o evento completou 10 anos. Mas o que é este festival? O HackTown é um evento que acontece em Santa Rita do Sapucaí, uma cidade situada no sul de Minas Gerais, e que tem como peculiaridade respirar inovação. Representa um dos pilares do município conhecido como Vale da Eletrônica e sedia instituições de referência no ensino de tecnologia como a Inatel e a ETE.

E o que podemos aprender em termos de diversidade com este evento? O primeiro aprendizado se dá pela variedade da programação. Este ano, foram 21 trilhas temáticas oficiais, englobando áreas como ancestralidade, inteligência artificial corporativa, sustentabilidade, tecnologia, negócios, criatividade, inclusão, impacto social e bem-estar. Ou seja, a filosofia do HackTown baseia-se no princípio de que perspectivas e pontos de vista diversos são um dos pilares da inovação.

Em segundo lugar, destaca-se a diversidade de pessoas que frequentam o festival. Diferentes raças, etnias, corpos, sexualidades, idades convivem em um ambiente que acolhe a todos, todas e todes sem discriminação.

Em terceiro lugar, chama a atenção a diversidade de ambientes e lugares que compõem o evento. Em cada esquina nos deparamos com uma intervenção cultural; uma atração musical; um auditório com palestras; uma padaria, igreja, bar com roda de conversa; isso sem falar dos espaços construídos para abrigarem os participantes durante os quatro dias de festival.

Em quarto lugar, destaca-se o poder da coletividade, pois um evento desta magnitude só acontece porque é feito por muitas pessoas que se envolvem pelo mesmo propósito. A começar pelos organizadores que se dedicam para que o evento aconteça; pelos moradores da cidade que abraçam o festival e acolhem a todos com hospitalidade e simpatia; pelos speakers que preparam conteúdos criativos e disruptivos e se dedicam a estar ali, de forma voluntária, pelo desejo de compartilhar e trocar conhecimento e se conectar.

Deste ano, fico com alguns aprendizados que gostaria de compartilhar aqui. O primeiro deles é que só vamos conseguir moldar um futuro mais sustentável e equânime na coletividade, pois não existe saída individual para um problema que é coletivo. O segundo é que o sonho é uma tecnologia ancestral e que precisamos sonhar para que esse sonho nos transforme. E o terceiro é que a utopia é um desejo coletivo de algo que só vai ser alcançado por meio da coletividade. Talvez este seja exatamente o maior legado que o HackTown nos deixa: o de que sonhos, quando sonhados coletivamente, se transformam em projetos possíveis.

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Sobre o autor

Letícia Lins

Doutora e Mestra em Comunicação, Pós-Graduada em Marketing e Publicitária de formação. Fundadora da Letícia Lins Consultoria de Diversidade e Inclusão. Coordenadora dos Cursos de Diversidade e Inclusão do IEC da PUC Minas. Atua como professora na Puc Minas e no Sebrae. Autora do livro: “Deixamos o não em casa, mas saímos com o nunca. Publicidade, Experiência, Públicos e Feminismos nas Redes Digitais” e organizadora do livro: “Comunicação, diversidade e inclusão: diálogo entre academia e mercado”.

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