De quem é a culpa?
Políticos em campanha costumam prometer mundos e fundos, como regra perdem por completo noção da realidade. Por exemplo, quando dizem que farão isto e aquilo, ignorando que suas decisões necessariamente passam pelo crivo do Legislativo. Mas mesmo neste ambiente em que a realidade parece tão distante é certo, ou pelo menos deveria parecer, que quem chegar à cadeira mais importante do Planalto terá que encarar para valer a questão da redução de gastos e consequente busca, muito a sério, do reequilíbrio fiscal. Obrigação que deveria pesar – e muito! – quando o eleitor estiver diante da urna eletrônica e for escolher também deputado e senador de sua preferência. Porque minimamente temos todos carência absoluta de gente séria e somos nós afinal que fizemos do Congresso Nacional algo como um monumento ao que possa haver de pior na política.
Sim, somos nós todos, eleitores, os maiores culpados, por ação ou omissão, pelo que vem acontecendo no País. Somos nós também que temos o poder de escolher gente competente, qualificada e comprometida para conduzir o País, para tomar decisões que não podem ser mais adiadas. Precisamente como acontece com a questão dos gastos públicos, que se mantêm muito além da conta e da elementar necessidade de equilíbrio, pré-requisito para a realização, com chances mais verdadeiras de sucesso, de mudanças que nos devolvam boas chances de reencontrar os caminhos do desenvolvimento econômico sustentado, da recuperação que encontre na melhoria das condições de vida de todos a principal contrapartida.
Um entendimento absolutamente elementar e ainda agora confirmado pelo atual governo que na proposta orçamentária que acaba de ser enviada ao Congresso reconhece que o espaço no limite de gastos do arcabouço fiscal pode ser insuficiente para acomodar os custos dos programas atuais sem considerar expansões em novas iniciativas. E não se está falando de possibilidades para um futuro ainda distante e sim do que fatalmente acontecerá, sem que ocorram mudanças sérias e consistentes, já a partir de 2028.
Implicações que alcançam também a política fiscal, impedindo assim que as taxas de juros reencontrem níveis menos insanos, ou “indecentes” como algum já os qualificou. São amarras despropositadas, que travam os negócios e inibem investimentos, tudo isso implicando em maior concentração da renda e mais miséria na outra ponta. Um desenho, afinal, de cores absolutamente indesejadas, exatamente como vem dizendo os políticos em campanha, todos eles de uma forma ou de outra. Gente que nos palanques se transforma em devotos guardiões das melhores virtudes, mas que delas se esquecem tão logo retornam ao mundo real.
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