Liberdade sob riscos
“As divergências fazem parte do sistema democrático, mas essas divergências têm que ficar no campo das ideias. Nós queremos que as pessoas eventualmente divirjam, mas, acima de tudo, saibam respeitar as opiniões das outras pessoas. E mais que isso, saibam respeitar as escolhas que cada um de nós irá fazer. Então é importante que nós valorizemos a democracia, o diálogo e, acima de tudo, o respeito às diferenças”.
Registrar palavras ditas pelo desembargador Carlos Henrique Perpétuo Braga, presidente Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG), durante solenidade de assinatura de convênio com a Assembleia Legislativa de Minas Gerais para promoção de campanha de enfrentamento da desinformação com foco nas eleições de outubro é oportunidade para reforçar conceitos que estão entre os pilares do processo democrático. E esperar que, de fato, a sociedade brasileira se conscientize da importância de depurar – para extinguir – a desinformação, o crime eleitoral, os discursos de ódio, a violência política e o assédio eleitoral.
Tudo isso, ainda segundo o TRE-MG, com foco especialmente na propaganda eleitoral na internet e os desvios que se repetem, pondo em risco o acesso à informação e, pior, a integridade de todo o processo, com danos que podem vir a ser irreparáveis para a política e, consequentemente, para toda a sociedade. Apesar das preocupações que têm sido explicitadas com frequência, apesar do reconhecimento da proporção dos danos, na realidade pouco de concreto tem sido feito para dar fim às anomalias que vão se repetindo a ponto se ser possível afirmar que a mentira passou a ser a maior ferramenta das campanhas eleitorais.
O País, os brasileiros independentemente de suas preferências e das escolhas que serão confirmadas dentro de menos de um mês, estão diante do momento da maior importância para tudo e todos. Estamos, para o bem ou para o mal, pavimentando as estradas para o futuro e mais que escolher pessoas estaremos escolhendo caminhos. O que somos e o que desejamos alcançar como nação e como indivíduos e neste processo não pode haver espaços para desvios, para desinformação, para mentiras. Precisamente como pontua o presidente do TRE-MG com apoio e aplausos do Legislativo.
Na verdade, estamos falando do elementar, estamos repetindo tudo aquilo que no plano do ideal não precisaria ser dito. Não há como deixar de entender o acesso à informação e ao conhecimento como pressupostos das escolhas que estarão sendo feitas dentro de algumas semanas. Está em jogo o futuro, estão em jogo a liberdade e a democracia, não podendo haver espaço para leniência diante dos riscos que todos corremos.
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