Serviços essenciais
O rompimento de uma adutora de grande porte no bairro Nova Granada provocou paralisações no abastecimento de água em bairros da região Oeste de Belo Horizonte, com sérios transtornos para moradores de áreas densamente povoadas. O acidente aconteceu, segundo a Copasa, no último dia 19 e as obras de reparo e manutenção foram atrasadas por conta das condições do local, demandando solução provisória e redução na pressão do sistema. Independentemente das causas mais imediatas, os acontecimentos que trouxeram de volta as ruas de bairros de classe média os antigos – e por suposto ultrapassados – caminhões-pipa, fazendo voltar à memória dos mais velhos lembranças das precárias condições de abastecimento de água nos anos 50 e 60 do século passado, deve ser tomada também como advertência.
Para lembrar, conforme relato da Agência Reguladora de Saneamento e Energia de Minas Gerais (Arsae-MG), que as reclamações por conta do desabastecimento aumentaram em até 176% nos últimos dias.
É preciso, ou se não de extrema conveniência na perspectiva da população, saber o que se passa. Existem relatos consistentes no sentido de que investimentos em expansão da oferta de água tratada e das redes de distribuição não acompanharam o aumento da demanda, elementarmente por conta do próprio crescimento da população. Sequer os gastos com manutenção não teriam correspondido satisfatoriamente às necessidades, precarizando a qualidade dos serviços ofertados ou, antes, o próprio acesso da população. Não, certamente, no conceito ideal de universalização desses serviços.
Os acontecimentos comentados precisam ser melhor avaliados neste contexto. E da mesma forma que a população consumidora precisa saber como e porque entre as estações de tratamento e a entrega de água tratada nas torneiras, perdas podem chegar a 30% – ou mais – também precarizando a oferta e elevando custos de toda a operação. Porque acesso a água tratada e serviços de esgotamento sanitário são direitos básicos, além de, comprovadamente, o melhor investimento que se pode fazer em saúde pública.
Afinal, a impressão de que a distância entre o atendimento universalizado e a realidade pode estar aumentando, ao contrário do desejável, deve ser tomada em conta também pelos que apontam com avanço a privatização desses serviços, precisamente como está acontecendo presentemente com a Copasa. Apresentada – e vendida – como grande e necessário avanço, tendo como meta a oferta de serviços melhores e mais acessíveis a mudança pode estar apontando na direção contrária.
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