Do voto e da apatia nas eleições pelo mundo
As eleições de fato mudam o nosso cotidiano e quanto um voto realmente influencia o rumo dos governos é a questão que cada eleitor pelo mundo democrático analisa antes de votar. Segundo pesquisa da OCDE, entidade que reúne os países mais ricos do planeta, em 2026,40% das pessoas confiam no governo do seu país e 68% estão convencidos de que o voto influencia o governo. Já a Ipsos, empresa de pesquisas, conclui que a maioria das pessoas acredita no voto, mas que não são ouvidas após a eleição. Em 31 países, 64% pensam que os partidos e os políticos importam cada vez menos.
A insatisfação com a democracia também é muito significativa. Ela chega a 69% nos EUA, 62% na Itália e 52% no Reino Unido. E na América Latina, só 24% dos eleitores confiam no Congresso e 17%, nos partidos políticos.
As respostas eleitorais nos regimes presidenciais ou parlamentares são diferentes. Também a participação do eleitorado é diferente. Dos países importantes, só o Brasil e a Argentina têm voto obrigatório. E com a abstenção cada vez maior, os governantes são eleitos com menos votos. Em Israel, o governo foi eleito com 33% do total dos eleitores. No Reino Unido, com 20%, nos EUA com 44% e no Brasil,38%. Ou seja, do total dos cidadãos com direito a voto, menos da metade, em média, elege o governo. A abstenção está só crescendo pelo mundo afora e, com isso, a minoria elege o governo. Isso ainda é mais acentuado no caso de sistemas políticos parlamentaristas,em que às vezes ninguém tem maioria e tem que fazer uma coalizão.
Em cada país as preocupações dos eleitores variam muito em função da conjuntura do dia. Assim, o custo de vida e o emprego aparecem muito fortemente, sempre. No caso de Israel, a segurança do país é o item principal e as Forças de Defesa têm mais confiança do que os políticos. Os eleitores argentinos queriam uma ruptura e elegeram Millei. Os alemães mudam de partido,mas não deixam de mudar. Há muita discussão sobre se a democracia está morrendo. O que é válido dizer é que os sistemas democráticos se adaptam a novos desafios trazidos pelas mudanças econômicas e tecnológicas, que geram mudanças sociais e obrigam os políticos a seguir novas demandas.
O crescimento de líderes políticos com fortes traços personalistas não deu ao mundo a certeza de que estamos sendo liderados pelos sábios. Por outro lado, também os grandes movimentos sociais, como maio de 68 na França ou movimentos pelos direitos dos negros nos EUA ou até, em 2013, no Brasil, e o movimento na Índia dos estudantes, sumiram. Estamos com falta de Woodstock, de juventude rebelde, preocupada com seu futuro e querendo mudar o mundo. Não estamos satisfeitos com o que temos, mas também não nos movemos para que mudanças aconteçam. As eleições são mais uma luta pelo poder do que por mudanças e por um mundo melhor.
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