O golpe certeiro

Mesmo com a segurança pública entre as principais preocupações dos brasileiros, debate eleitoral ainda vive de promessas e soluções burocráticas
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O golpe certeiro
Foto: Reprodução Adobe Stock

Pesquisas de opinião independentes e acreditadas apontam que a segurança pública, ou a sua falta amplamente confirmada no cotidiano de qualquer grande cidade, figura na atualidade entre as grandes, se não a principal, preocupações dos brasileiros. Eis o quanto basta para que se compreenda como e porque o tema tem estado presente na campanha eleitoral e nos debates que antecedem a votação programada para dentro de mais um mês. E também neste caso um debate esvaziado pelo oportunismo dos candidatos que nessa condição são capazes de prometer mundos e fundos, em alguns casos fazendo por merecer “puxões de orelha” porque estão falando do que poderiam ter feito e deixaram de fazer.

Voltou à pauta, e dentre outros exemplos que poderiam ser lembrados, a ideia da criação de um Ministério da Segurança como se placas em alguns prédios e tudo que elas possam significar, inclusive mais cargos, mais mordomias e mais gastos, tivessem o poder de operar o milagre há tanto esperado. Muita discussão desnecessária e, para completar, o esquecimento do mais elementar: todo mundo sabe que o tal crime organizado opera de dentro de cadeias e penitenciárias, com liberdade quase absoluta, tudo por conta do acesso a telefones celulares. E assim fazendo da modernidade e da tecnologia também a principal arma dessas organizações, hoje certamente seu mais vital instrumento de trabalho.

Todo mundo sabe, quase todo mundo reconhece a realidade, mas ninguém explica minimamente a impunidade, a liberdade de quem recebe os aparelhos e os utiliza sem qualquer constrangimento aparente. Nada, ou quase nada também sobre porque até agora e passadas décadas nada de mais efetivo foi feito para simplesmente bloquear o sinal de telefonia celular nestes espaços. Igualmente caberia indagar porque não saiu do papel projeto que possibilitaria o bloqueio de celulares em presídios a partir da identificação de todos os sinais ativos no perímetro de cada unidade prisional. É possível, bastante fácil na verdade, identificar os aparelhos usados por agentes penais e demais funcionários e a partir dessa informação bloquear as demais linhas ativas no perímetro, consideradas não autorizadas.

De Brasília vem a informação de que projeto com este desenho estaria pronto e em mãos de autoridades, podendo ganhar forma adequada à sua imediata utilização tão logo exista vontade política. Se é verdade, se tudo dependeria apenas de um movimento do presidente da República, cabe esperar que a longa, indesejada e inexplicada espera esteja chegando ao fim. E afinal seja dado um golpe certeiro na criminalidade, assim tranquilizando cidadãos brasileiros que hoje situam a insegurança dentre suas maiores preocupações.

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