Viver em Voz Alta

50 anos sem Juscelino

Evento destacou o ideário progressista de João Pinheiro e as ideias desenvolvimentistas de JK
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Convidado pelo professor João Antônio de Paula, estive, pela terceira vez, no excelente “Seminário de Diamantina”, organizado pelo Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar) da Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG desde 1982. Na edição de 2026, fui o mediador de mesa de conferência e debate sobre duas personalidades marcantes da vida de Minas Gerais: João Pinheiro e Juscelino Kubitschek, sobre os quais falaram, respectivamente, a professora Maria Marta Araújo, coordenadora da Coleção Mineiriana da Fundação João Pinheiro e o ex-reitor e ex-ministro Clélio Campolina.

A sessão destacou o ideário progressista de João Pinheiro e as ideias desenvolvimentistas de JK. Morto há meio século, o político de Diamantina continua a ter o seu legado discutido e avaliado. Importante notar que mesmo seus críticos mais ácidos reconhecem sua valiosa contribuição para a história do país, sobretudo para o processo de descentralização da ocupação territorial brasileira. A mudança da capital, como é sabido, foi essencial para o florescimento do Centro-Oeste. A criação da Sudene, concebida pelo gênio de Celso Furtado, beneficiou enormemente as condições de vida no Nordeste.

Em outro evento de que também participei, desta vez na sede do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), a que pertenço desde 2019, coordenei a mesa da conferência inaugural do “Colóquio sobre Juscelino”, tarefa que coube ao sempre brilhante Angelo Oswaldo de Araújo Santos. Expoente do campo da Cultura, o prefeito de Ouro Preto optou por realçar as ligações de JK com tal universo, considerando-o uma peça central da afirmação do Modernismo no cenário cultural, artístico e estético do país. Quando prefeito, Juscelino idealizou a Pampulha, chamando Oscar Niemeyer, Alfredo Ceschiatti, Burle Marx e Cândido Portinari para desenhá-la. No governo do Estado, convidou Alberto da Veiga Guignard para morar e lecionar na capital do estado, marcando época na história das artes visuais de Minas Gerais. Na presidência – para resumir – inventou Brasília.

Perseguido, humilhado, cassado e preso pela ditadura militar instalada a partir de 64, Juscelino concluiu, em 76, seu ciclo vital entre nós, mas sua memória permanece poderosa e inspiradora, principalmente para os que acreditam que a vida é feita de gestos de ousadia e que uma sociedade merece viver o melhor de si mesma.

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Sobre o autor

Rogério Faria Tavares

Jornalista. Doutor em literatura. Presidente emérito da Academia Mineira de Letras.

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