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O escritório está de volta; e a convivência?

Com empresas ampliando a presença física, adaptar-se a novos códigos de convivência e relacionamento se torna crucial para o sucesso do retorno
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Uma pesquisa da Robert Half, divulgada em agosto, mostra que as empresas brasileiras estão ampliando a presença física. Os dados apontam como principais motivos o fortalecimento da cultura (68%), a melhoria da comunicação e da colaboração (63%), a necessidade de integração e supervisão (59%) e o aumento da produtividade (50%).

Se a empresa está trazendo as pessoas de volta ao escritório para fortalecer cultura, colaboração e relacionamento, aumenta também a necessidade de preparar as equipes para a convivência profissional. É fato que um número significativo de profissionais deverá se adaptar à cultura organizacional de empresas que, muitas vezes, só conhecem virtualmente, seja pelos encontros online, seja pelas plataformas de trabalho.

Para quem já está na rotina dos escritórios, virão novas personalidades, novos profissionais e novos jeitos de fazer as coisas. Pessoas que desenvolveram hábitos profissionais no ambiente remoto talvez não se encaixem tão facilmente na rotina do escritório, com horários definidos para descanso, almoço e trabalho. Os novatos terão de lidar com um cenário diferente daquele que conheceram: pessoas ao redor, vozes, movimentos, interrupções, conversas de corredor e a demanda de proximidade com o colega.

A empresa pode reunir sua equipe em um mesmo ambiente de trabalho em busca de estabelecer cultura, melhorar a supervisão, a comunicação e a produtividade. Mas quem volta do home office também traz hábitos bastante arraigados: conversar por mensagens, participar de reuniões pelo celular e, em alguns casos, até realizá-las sem estar fisicamente presente. E mais: poderá haver lideranças que confundem presença com controle, despreparadas para dar feedback, além de dificuldades no relacionamento entre diferentes gerações.

Se a demanda se concretizar e as mesas dos escritórios voltarem a ser ocupadas, a boa convivência deverá ser um ponto crucial para o sucesso dessa empreitada. Os gestores talvez ainda não tenham se atentado para essa questão, embora as habilidades comportamentais tenham ganhado cada vez mais espaço nos processos de seleção. A técnica pode ser ensinada, aprimorada e atualizada. Já ética, bom senso, comportamentos adequados e a assimilação de uma cultura corporativa exigem tempo, prática e consciência.

É compreensível que, depois de anos de trabalho remoto e híbrido, voltar ao espaço físico signifique reaprender ou mesmo aprender códigos de convivência, comunicação e presença profissional. Não basta estar no mesmo local de trabalho. Estar presente é uma condição física. Ter presença profissional é uma escolha comportamental. É estar disponível para ouvir, conversar, colaborar, perceber o outro e participar daquele ambiente.

Não se trata, porém, de voltar ao passado e recuperar antigos modelos de comportamento. A convivência profissional mudou, e os códigos também foram atualizados.

No dia a dia, o que faz diferença é justamente a capacidade de ler o contexto e respeitar o outro. Isso vai aparecer quando for necessário discordar, dar um feedback, receber uma crítica, lidar com alguém hierarquicamente diferente ou, ainda, quando for preciso dizer não. A etiqueta corporativa passa por saber conviver, comunicar-se e posicionar-se de maneira adequada, respeitando espaços, linguagem e diferenças e entendendo o contexto.

É preciso desmistificar a ideia de que um ambiente corporativo exige um conjunto rígido de regras. Não se trata disso. O mundo mudou, a sociedade mudou e as relações profissionais se tornaram mais informais. No entanto, a informalidade não dispensa a boa educação.

O grande desafio hoje é entender que informalidade não significa intimidade. Posso chamar meu diretor pelo primeiro nome, mas devo continuar respeitando a posição que ele ocupa e os limites dessa relação.

Afinal, cultura organizacional não se constrói apenas reunindo pessoas no mesmo espaço. Ela se revela na maneira como essas pessoas se tratam quando estão juntas. O escritório pode estar de volta. Mas a verdadeira volta ao trabalho presencial só acontece quando aprendemos novamente a estar presentes uns para os outros.

Conteúdos publicados no espaço Opinião não refletem necessariamente o pensamento e linha editorial do DIÁRIO DO COMÉRCIO, sendo de total responsabilidade dos/das autores/as as informações, juízos de valor e conceitos divulgados.

Sobre o autor

Méri Grossi

Méri Grossi é jornalista, assessora de comunicação e imprensa, pós-graduada em Marketing e em Moda. Consultora de imagem pessoal e profissional desde 2005 formada pelo Senac-MG.

Sobre o autor

Olga Barra

Olga Barra é formada em comércio exterior, professora de inglês in company há mais de 30 anos. Formou-se em consultoria de imagem corporativa e pessoal em 2011 no Brasil e em 2013 em Atlanta, EUA.

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