Gargalos a superar
É fato objetivo que a administração Trump, nos Estados Unidos, virou de cabeça para baixo a economia global ao romper padrões estabelecidos desde o final da Segunda Guerra, em 1945. Tanto quanto alianças consolidadas, o que era dado como certo, especialmente por conta do alinhamento dos países ocidentais, se transformou rapidamente em grandes incertezas, tudo com impacto direto no comércio internacional. Neste ambiente o Brasil, que em alguns momentos foi conduzido ao centro das atenções, foi capaz de aliviar prejuízos por conta das tarifas impostas por Washington com agilidade na busca de novos parceiros e diversificação na pauta de exportações. Em síntese, a catástrofe imaginada – e até anunciada em alguns círculos – não aconteceu.
Ainda assim não estamos diante do bastante para comemorações. Cabe recordar que as vendas externas brasileiras somavam, nos anos 90 do século passado, menos de U$ 50 bilhões/ano, valor que mais que dobrou na virada do século, chegando a U$ 118 bilhões em 2005 alavancado pelo primeiro boom de commodities. Números e resultados deveras impressionantes: U$ 256 bilhões em 2011, U$ 340 bilhões em 2023 e U$ 406 bilhões em 2025. Uma coleção de feitos notáveis que projetam o Brasil entre os grandes traders globais, já bem próximo de superar os Estados Unidos como maior exportador global de alimentos.
Poderia ser mais ou, antes, os resultados colhidos pelos produtores brasileiros seriam ainda melhores não fossem os gargalos de infraestrutura que persistem no que toca aos portos e as ferrovias, mantida a extrema e onerosa dependência do modal rodoviário. Assim, e conforme informação colhida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o valor elevado dos fretes consome resultados e reduz a competitividade dos produtos brasileiros. Nada de novo, nada que não seja amplamente conhecido. Transportar soja, por caminhão, do Mato Grosso aos portos no Paraná ou São Paulo custa mais caro que o percurso naval até a China.
Uma situação desbalanceada e diante da qual é possível afirmar que o País não soube aproveitar o tempo, consideradas precisamente as três décadas usadas como referência neste comentário, para se não corrigir pelo menos melhorar e assim avançar com mais segurança e melhores resultados. Se não corrigir as limitações de logística, se não formos capazes de acelerar o processo de recuperação, expansão e modernização dos portos, se as ferrovias em implantação não forem concluídas e entregues pode ser dado como certo que o Brasil não terá condições para manter a formidável performance dos últimos 30 anos.
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