Finanças em Foco

O apartamento deixou de ser apenas patrimônio e tornou-se uma operação de renda

Quando o objetivo do imóvel passa a ser o retorno financeiro, a operação de locação ganha peso semelhante ao da localização
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Durante décadas, comprar um imóvel era semelhante a um ritual de passagem, representava a construção de patrimônio. O sucesso desse investimento era medido pela valorização do metro quadrado e, em alguns casos, pela renda obtida com um aluguel administrado de forma relativamente simples, muitas vezes ficando a cargo do proprietário do imóvel.

Esse desejo não desapareceu, muitos brasileiros ainda sonham com a casa própria, porém, os compradores também passaram a analisar a capacidade do imóvel em gerar receita recorrente.

Essa transformação acontece em um momento em que a própria demanda por hospedagem mudou. Segundo levantamento da Airbtics, a oferta de imóveis para locação de curta temporada cresceu 31,2% no Brasil em 2025, enquanto a receita média por imóvel avançou 13,6% em relação ao ano anterior.

Quando o objetivo do imóvel passa a ser o retorno financeiro, a operação de locação ganha peso semelhante ao da localização. Assim como companhias aéreas utilizam algoritmos para precificar passagens em tempo real, a gestão profissional de imóveis utiliza modelos capazes de ajustar tarifas conforme demanda, eventos locais, sazonalidade e comportamento do mercado, além de acompanhar indicadores de desempenho quase em tempo real.

Na prática, isso representa uma mudança importante na relação entre investidor e imóvel. O proprietário deixa de administrar tarefas operacionais e passa a acompanhar esses indicadores, enquanto uma operação especializada assume atividades como precificação dinâmica, atendimento 24×7 ao hóspede, manutenção preventiva e corretiva, limpeza padronizada e monitoramento da ocupação. .

Incorporadoras já desenvolvem empreendimentos e prorietários têm buscado empresas especializadas ainda na fase de concepção dos projetos para desenvolver imóveis mais adequados a esse modelo de locação. A discussão passa pela minuta da convenção condominial, pelo desenho das áreas comuns, pelas tipologias dos apartamentos e até pelas áreas técnicas necessárias para garantir uma operação eficiente. Estudos de viabilidade também passam a considerar projeções de receita operacional, e não apenas estimativas de valorização patrimonial.

O imóvel continua sendo patrimônio, mas é necessário compreender essa mudança, e responder a uma demanda por hospedagem cada vez mais profissionalizada.

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Aarti Waghela
Sobre o autor

Aarti Waghela

Chief Growth Officer (CGO) do Charlie

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