Giro pelo mundo

Dos novos tigres asiáticos

Taiwan, Singapura e Coreia do Sul dominam a produção de chips e indústria digital e de inteligência artificial no mundo
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Pensando sobre a Ásia, mal saímos da China, com nossa excessiva concentração e obsessão de nos livrarmos dos gringos, do Japão, grande investidor e com uma colônia no Brasil muito importante, da Coreia do Sul, superpresente com marcas famosas, e lembramos ainda de dois tigres asiáticos, Singapura e Taiwan. Muitas das comparações desses países com o Brasil concluem que todos eram menos desenvolvidos há 40 anos e que hoje estão mais desenvolvidos do que o Brasil. Não só estes países, todo o continente asiático está mais avançado, com ou sem a China, do que a América Latina. E entre as razões desse avanço não conta mais a mão de obra barata, como se no Brasil a mão de obra não fosse barata, mas seu custo, devido às contribuições, é alto, mas avanços tecnológicos produzidos por melhorias significativas na educação em todos os níveis.

Os três tigres da década de 80, Taiwan, Singapura e Coreia do Sul, dominam hoje, mesmo sob ameaça militar dos seus vizinhos, a produção de chips e indústria digital e de inteligência artificial no mundo. O seu desenvolvimento ultrapassou os limites regionais para o domínio global. E atingiu outros setores, como a indústria naval e de telecomunicações.

Nos anos oitenta surgiu a segunda geração de tigres asiáticos, Vietnam, Malásia, Tailândia e Indonésia, sem mencionar a Índia. São 3 milhões de km2 e 500 milhões de habitantes. Quase um terço do Brasil, com o dobro de população. Seguem o mesmo modelo da primeira geração e crescem mesmo com crises políticas, com tsunamis, corrupção e outras ameaças. Regimes diversos, como o comunista Vietnam, a monárquica Tailândia e as presidencialistas Malásia e Indonésia. Muçulmanas as duas últimas e budista, a Tailândia.

O caso mais impressionante é o do Vietnam: neste semestre, o país com maior superávit comercial com os Estados Unidos, 114 bilhões de dólares. Na nossa lembrança ainda está o filme Indochina, com Catherine Deneuve, mostrando o início da revolta contra a França, o nascimento dos vietcongues e, mais adiante, a derrota dos Estados Unidos. O país reunido, Norte e Sul, absolutamente destruído, começou uma fase nova em 1986. Muitos turistas brasileiros que visitam o país se encantam com as belezas naturais, mas também não escapam de ver não só a rede de túneis pelos quais se movimentam os vietnamitas, mas também porque e como derrotaram poderio gringo. Hoje o Vietnam cresce a 7% ao ano. Comparando com o Brasil, que tem 40 mil homicídios por ano, lá teve no ano passado 1.358. Importamos 3.9 e exportamos 3.8 bilhões de USD. Como sempre, agro versus eletrônica, máquinas. E o Vietnam, com apoio da Alemanha Oriental, se tornou o nosso principal concorrente em café. Se o Brasil pretende se preparar para um choque com a China, são esses novos tigres que podem representar um parceiro mais equilibrado.

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Sobre o autor

Stefan Salej

Ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), empresário, analista da política internacional e presidente da Slovenian Global Business Network.

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