Viver em Voz Alta

O novo livro de Leila Ferreira

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Já em segunda edição, “O nome disto é vida (Planeta, 221 páginas), de Leila Ferreira, parte de perguntas essenciais, enunciadas logo na primeira página, para guiar os leitores por um denso, mas instigante percurso: “Afinal, quanta vida cabe dentro de uma vida? O que distingue o simples existir do exercício de viver de fato? Vida boa é vida feliz, ou estamos superestimando a importância da felicidade?”

Seduzido pela proposta, li o livro em três dias, viajando com a autora por diferentes países e conhecendo, por seu intermédio, fascinante galeria de entrevistados. Valeu. Ao final da jornada, senti-me bastante compensado, sobretudo por haver refletido sobre alguns dos temas mais importantes da atualidade, como a chamada “positividade tóxica”, a tristeza, a depressão, a compulsão pelo fazer, o poder das redes sociais, a finitude e a fé. Hábil no manejo das palavras, a jornalista consegue escrever sobre assuntos difíceis de modo bastante agradável.

Comunicadora de alto nível, Leila se expressa em linguagem fluida e acessível, sem deixar de ser elegante. Seu texto tem uma fina dicção jornalística (de quem construiu longa e bem-sucedida carreira na imprensa, sobretudo na televisão) em um tom literário. A relação que propõe ao público é de proximidade, de quem sugere uma conversa verdadeira, de quem quer exercitar a veia da sensibilidade e do pensamento inteligente, que não se conforma com os horrores e a vulgaridade a que muitos querem nos reduzir.

Outro notável mérito do trabalho é a forma com que Leila “costura” os depoimentos que vai colhendo ao longo de suas trilhas pelo mundo, o que, no final, acaba por compor uma vibrante orquestra de vozes, integrada por gente tão interessante quanto a atriz Denise Fraga e as escritoras Marta Medeiros e Marina Colasanti.

“O nome disto é vida” é livro para ser lido, relido e consultado. Sublinhei vários trechos do meu exemplar. Marquei diversas páginas. “Dialoguei” bastante com as ideias e as inquietações expostas por Leila. Corajosa, ela foi fundo e tocou nas feridas que mais sangram o mundo em que nos debatemos nos dias de hoje.

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Sobre o autor

Rogério Faria Tavares

Jornalista. Doutor em literatura. Presidente emérito da Academia Mineira de Letras.

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