Do cuidado com o ladrão
Talvez a nossa maior preocupação em relação a roubos seja o roubo de celular. Com o celular se vão muitos dados e informações. E se alguém tem saudosismo do roubo de bancos, joias, residências, cargas e mais e mais, nada disso desapareceu, pode também ver na Netflix a divertida série francesa sobre o mais famoso ladrão do século passado, Arsène Lupin. E a série também se atualizou com novas ferramentas do mundo digital para facilitar os roubos.
Enquanto relembramos Jean Paul Belmondo roubando joias na Riviera Francesa e os jornais declarando o roubo do século, aconteceu um outro: 6.3 bilhões de dólares (quase o total do valor das emendas parlamentares este ano) em criptomoeda da maior empresa do mundo nessa área, a Binance, foram roubados em segundos. Um roubo que os especialistas apontam como muito complexo e sofisticado, mas que começou de uma forma muito simples. Um engenheiro da Binance respondeu a um anúncio de emprego, fez uma demonstração de seus conhecimentos no laptop e os entrevistadores copiaram seus dados e entraram na rede da Binance, como conta BBC. O resto é história, sendo que tudo aponta que os ladrões são da Coreia do Norte.
Na mesma semana foram hackeados em dez países europeus refrigeradores de supermercados. A temperatura subiu par 50 ºC e a comida foi toda jogada fora. Antes disso, 700 supermercados franceses também foram hackeados. E no Brasil, que recebe 1.4 milhão de tentativas de hackeamento por segundo, um dos mais vulneráveis do mundo, segundo o CITR.br, centro de acompanhamento das redes de internet, nem o Hospital Albert Einstein de São Paulo escapou. Os sistemas de bancos, e-commerce e governos são mais os vulneráveis.
Onde tem internet, onde tem sensores, como máquinas de lavar e geladeiras, máquinas avançadas, onde tem eletrônica, somos possíveis vítimas de hackeamentos. As empresas devem se proteger hoje, inclusive porque os hackers podem roubar dados e vender aos concorrentes. Foi-se o tempo em que roubavam fitas de telex transmitindo dados de uma oferta, experiência da geração hoje prateada.
Os investimentos em cibersegurança no Brasil somam para os próximos anos 100 bilhões de reais, mas muito mais ainda de pessoas físicas. Com a crescente digitalização e mais introdução de inteligência artificial, que representa outro tipo de problema, como atuar independentemente de sua programação, escapando aos controles, temos um prato cheio para nos preocuparmos com segurança. Aliás, essa preocupação passa também pela área militar, onde a expressão guerra cibernética e batalhões cibernéticos, com IA, robôs e drones, ganha nova dimensão.
O mundo em que vivemos é cibernético. Com seus benefícios e seus perigos.
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