Carreira em Foco

Errar não encerra o jogo

As experiências deixam marcas, e cada decisão abre espaço para transformar aprendizado em mudança

A vida não tem botão de voltar. Não permite apagar palavras, desfazer escolhas ou corrigir decisões passadas como quem edita um texto. Mas oferece algo: a possibilidade de agir diferente daqui para frente. Cada experiência deixa marcas, e cada decisão abre espaço para transformar aprendizado em mudança.

Muitas pessoas permanecem presas às jogadas anteriores. Pensam no que deveriam ter feito, nas oportunidades perdidas e nos caminhos que poderiam ter escolhido. Refletir é necessário; viver aprisionado ao arrependimento, porém, impede o avanço. Quando a atenção está no passado, o presente perde força e a próxima oportunidade passa despercebida.

Errar não encerra o jogo. O que compromete a trajetória é repetir atitudes sem reconhecer suas consequências. Aprender exige olhar para a própria responsabilidade, compreender o contexto e identificar o que precisa mudar. Maturidade não significa acertar sempre, mas desenvolver consciência para ajustar escolhas e interromper padrões que produzem os mesmos resultados.

No trabalho, uma decisão equivocada pode revelar limites, prioridades e competências que precisam ser desenvolvidas. Uma conversa difícil pode ensinar a ouvir melhor. Um projeto frustrado pode mostrar a importância do planejamento e da colaboração. O aprendizado acontece quando a experiência deixa de ser apenas uma lembrança dolorosa e passa a orientar ações.

Na vida pessoal, esse movimento também importa. Relacionamentos terminam, expectativas se frustram e planos mudam. Nem sempre será possível reparar tudo, mas ainda é possível reconhecer falhas, pedir desculpas, estabelecer limites e construir novas formas de agir. Recomeçar exige honestidade para encarar o que aconteceu e coragem para abandonar comportamentos conhecidos.

A armadilha está em transformar um erro numa definição de quem somos. Uma escolha ruim não resume uma pessoa nem determina toda a sua história. O futuro depende também da disposição para buscar apoio, rever decisões e continuar aprendendo.
Seguir jogando não significa ignorar a dor ou agir depressa, mas respeitar o tempo necessário, assumir responsabilidades e dar o próximo passo com mais clareza. A experiência ganha valor quando modifica nossa maneira de viver. Você não pode mudar a última jogada, mas pode decidir como responder a ela; não é mesmo? Diante disso, a pergunta é: o que fará diferente na próxima?

Conteúdos publicados no espaço Opinião não refletem necessariamente o pensamento e linha editorial do DIÁRIO DO COMÉRCIO, sendo de total responsabilidade dos/das autores/as as informações, juízos de valor e conceitos divulgados.

Sobre o autor

David Braga

David Braga - CEO, board advisor e headhunter da Prime Talent, empresa de busca e seleção de executivos, presente em 30 países pela Agilium Group. É conselheiro de Administração e professor convidado pela Fundação Dom Cabral, presidente da ABRH MG e presidente do Conselho de Administração do ChildFund Brasil. Instagrams: @davidbraga | @prime.talent


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