Dever de casa

Conforme disse o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas, é preciso respeitar o resultado das eleições e seguir em frente

No domingo (25), logo que foi conhecido o resultado da votação em segundo turno, o candidato derrotado declarou que ingressaria com recurso exigindo anulação do pleito, contaminado pela decisão judicial que estendeu o período de votação. Ele não sabia, ou fingia não saber, que a prorrogação fora solicitada pelas duas campanhas e, confrontado com a realidade, passou a cobrar cassação do presidente da República por conta de alegados abusos durante a campanha. Continuou sendo uma voz solitária, sem apoio nem mesmo de seu partido. Um enredo absolutamente previsível, além de enfadonho também nos desdobramentos posteriores, todos eles tão conhecidos quanto capazes de retardar o fim dos desvios e perturbações que tantos males têm provocado ao Brasil e aos brasileiros.

Exatamente como apontam vozes mais equilibradas, dentre as quais a do governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas, de quem se pode afirmar que foi o principal cabo eleitoral do candidato. Em nota oficial divulgada na quarta-feira, disse o governador: “A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente. Entendo o sentimento de Flávio, entendo sua indignação e sua revolta, e esse sentimento é de muitos brasileiros também. Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente. O momento exige responsabilidade, serenidade e a construção de uma oposição forte, capaz de exercer seu papel. É assim, respeitando o processo democrático e trabalhando dentro das instituições, que vamos fortalecer o sistema de freios e contrapesos que sustenta a nossa democracia”.

Foram referências indiretas às primeiras manifestações do candidato derrotado depois de sua chegada aos Estados Unidos. Em duas versões de uma “carta aberta” divulgadas em rápida sequência, Flávio primeiro denuncia fraude na eleição e assim não reconhecer o resultado para acrescentar ser “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Em sequência se apresenta como “líder do Brasil”, agora na condição de exilado. A pronta reação do governador de São Paulo parece refletir sentimentos hoje comuns às principais lideranças da direita brasileira, tudo com desdobramentos que têm surpreendido sobretudo pela velocidade.

Cabe esperar que a temperatura política continue baixando e assinalar que até mesmo os ímpetos do presidente Donald Trump soam mais contidos. Depois de declarar não ter gostado do que viu no Brasil e sugerir – e sem qualquer referência objetiva – a possibilidade de fraude ele agora afirma que não pretende interferir para além da concessão de asilo ao candidato e familiares.
Tudo para alimentar esperanças de que depois de tantas e tão fortes emoções os brasileiros possam afinal voltar a pensar no dever de casa.

Sobre o autor

Diário do Comércio


Publicidade Legal

Impresso

Ver outras datas

Digital

Ver outras datas
Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas

Acessos importantes

Especial
Aos 94 anos, Diário do Comércio revisita as campanhas que ajudaram a moldar Minas