Métodos de sempre

Reação negativa do mercado pós-eleição repete um jogo de pressões à margem da escolha feita pela maioria dos brasileiros no último pleito

O tal “mercado” anda ansioso por conta das apostas equivocadas que fez, mas parece que ainda se imagina acima do bem e do mal. Na segunda-feira (26), conhecidos os resultados da eleição na véspera, amanheceu agitado, fato imediatamente refletido na bolsa de valores e no câmbio. Mas com oscilações ditadas, tratam de registrar observadores independentes, muito mais por conta de razões ideológicas que propriamente de motivos técnicos. A boa e velha especulação em que poucos ganham muito e a maioria perde. Afinal, nos campos da objetividade e da razão, como negar que o presidente reeleito tem sido para o “mercado” ou para a “Faria Lima”, como preferem agora muitos daqueles que se imaginam próximos da Wall Street, um padrinho tão valioso quanto atencioso? Como ignorar, ou fazer de conta que tudo pode não passar de intriga, que os bancos no Brasil nunca ganharam tanto e seus índices de lucratividade vão muito além das margens internacionais? Difícil é imaginar que ainda tenha quem considere pouco ou reconhecer que o apetite simplesmente possa não ter limites.

Nessa toada e não tendo prosperado, diante do mais absoluto vazio, as tentativas de desqualificar o processo eleitoral e consequentemente o resultado anotado, as atenções vão tomando outra direção. Agora o “mercado”, que na realidade pouco ou nada tem a ver por exemplo com as grandes casas bancárias, sendo muito mais apenas abrigo de especuladores, tenta encerrar a toque de caixa o atual mandato e dar início ao próximo, pulando a etapa da transição. Para mais uma vez forçar a barra e impor sua vontade ou, antes, seus interesses. Assim, petulante, cobra aceleração de definições cruciais, a começar pelos nomes dos integrantes da equipe econômica que integrará o novo governo.

E já reclama que esteja logo na mesa, para críticas, avaliações e, claro, vetos que imaginar necessários, os planos de trabalho para a gestão que começa em janeiro do próximo ano. Os métodos são afinal os de sempre, o jogo de pressões segue adiante e à margem da escolha feita por 64 milhões de brasileiros no domingo que passou. Tudo como se não tivesse mínima relevância escolhas e preferências que “mercado” e “Faria Lima” não procuraram sequer disfarçar durante toda a campanha eleitoral, com explícita simpatia pelo candidato afinal derrotado.

São registros devidos e necessários, de interesse do próprio setor financeiro, que, na sua integridade e evidente relevância, pouquíssimo tem a ver com os especuladores que apenas se imaginam no centro da cena.

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Diário do Comércio