Capitalismo Consciente

Capitalismo Consciente também precisa falar de menopausa

Como as empresas podem promover bem-estar e respeito às mulheres

Capitalismo consciente, cultura organizacional e menopausa: qual a relação entres estes elementos? O que a cultura de uma empresa revela sobre o seu compromisso com as pessoas? Qual a responsabilidade social das organizações diante da vida de milhões de mulheres maduras?

O Capitalismo Consciente propõe uma visão de negócios que vai além dos resultados financeiros, considerando propósito, pessoas e impactos na sociedade. Nesse contexto, espera-se que as organizações promovam bem-estar, respeito, desenvolvimento e crescimento. Pelo menos, esse é o discurso que ouvimos e lemos em muitas empresas.

Mas e quando o assunto é menopausa?

O tema aparece nos códigos de ética, nos relatórios de sustentabilidade, nos Diálogos Diários de Segurança (DDS), nas reuniões de equipe ou nas conversas entre lideranças e suas equipes?

A menopausa ainda é cercada de silêncio, tabus, constrangimentos e desinformação. Seus sintomas podem afetar o sono, o humor, a concentração e o bem-estar. No trabalho, esses impactos podem se somar a outros desafios enfrentados por mulheres maduras, como o etarismo, o preconceito de gênero, a invisibilidade profissional e a pressão para demonstrar produtividade constante.
A menopausa frequentemente coincide com uma fase de grande experiência e maturidade profissional. Como aproveitar esse repertório sem reduzir a mulher à idade ou às mudanças hormonais?

Empresas socialmente responsáveis têm relacionado seus programas de valorização das pessoas e de bem-estar ao conhecimento sobre a menopausa e os hormônios femininos?

Falar sobre o tema não significa criar privilégios para mulheres maduras. Representa reconhecer uma dimensão da vida humana e construir relações de trabalho mais respeitosas, acolhedoras e sustentáveis.

É preciso aproximar discurso e prática, propósito declarado e experiência vivida. Uma cultura organizacional autêntica não ignora as dificuldades humanas: cria espaço para que sejam compreendidas e enfrentadas. E as mudanças hormonais fazem parte dessa conversa.

O Capitalismo Consciente deve, portanto, buscar resultados e sustentabilidade, assumir sua responsabilidade social e reconhecer as pessoas em sua integralidade, inclusive quando o assunto são os hormônios.

É uma discussão complexa, ainda pouco presente nas organizações, mas necessária.

Conteúdos publicados no espaço Opinião não refletem necessariamente o pensamento e linha editorial do DIÁRIO DO COMÉRCIO, sendo de total responsabilidade dos/das autores/as as informações, juízos de valor e conceitos divulgados.

Varda Kendler
Sobre o autor

Varda Kendler

Publicitária, Pós em Comunicação Empresarial, Marketing e Gestão Estratégica da Informação. Mestra em Administração. Consultora e Professora em Comunicação e Cultura Organizacional. Staff do TEDxBeloHorizonte e voluntária do Movimento Tio Flávio Cultural. Redes sociais: @vardakendler


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