A vontade tem força

Vitória de Lula no domingo (25) não afasta a realidade do convívio obrigatório com um Legislativo dominado pela oposição

O presidente Lula, que promete fazer de seu quarto mandato o melhor de todos e garante também que mudará a forma de governar, tem pela frente, no campo da política e da gestão, enormes desafios. A vitória consagradora no domingo (25) com certeza eleva seu cacife político, mas não afasta a realidade do convívio obrigatório com um Legislativo onde a oposição passará a contar com folgada maioria. Muito possivelmente até fevereiro do próximo ano quando o processo de transição estará completado e começará a nova legislatura, haverá algum espaço para redesenho de alianças e, portanto, algum alívio nas pressões, que, conforme prometido agora, serão duríssimas, fazendo do Congresso Nacional a trincheira da oposição. Ainda assim a certeza de um grande desafio pela frente.

Poderia ser diferente se houvesse no País, de fato, inteligência política ou minimamente, mais coerência e comprometimento. Afinal, todos dizem e repetem, conforme aconteceu ao longo da recém-encerrada campanha política, que o objetivo central, se não único, é atender aos reclamos da população. Para assim melhorar as condições de vida, sobretudo dos menos favorecidos, paralelamente desbravando as trilhas do desenvolvimento econômico. Por óbvio, deveria haver convergência e coerência na etapa que está por ser iniciada no elementar entendimento de que todos estão de fato comprometidos em trabalhar pelo Brasil e pelos brasileiros.

Mesmo que com uma dose de otimismo um tanto exagerado cabe demonstrar que para além dos limites estreitos da conveniência ou do pragmatismo existem sim espaços de convergência a explorar. E diante de um vasto campo de possibilidades, ou de emergências, como a sempre necessária redução de despesas capaz de apontar com precisão para um reajuste fiscal consistente, à altura da realidade do País ainda que doloroso num primeiro momento. Tarefa comum, responsabilidade comum, abrindo assim espaços para a redução das taxas de juros sem os riscos da inflação e afinal devolvendo velocidade ao crescimento econômico.

Afinal, uma nova forma de governar, como promete o presidente da República, que poderia ser também uma nova forma de fazer política, mais distante das conveniências, as miúdas inclusive, e mais próximas das demandas que continuam sendo postergadas. Mas próximas, sobretudo, de responsabilidades que não devem continuar sendo escanteadas, tudo num esforço que não deveria ter lado para ser afinal percebido exclusivamente como expressão de comprometimento e responsabilidade. Da utopia à realidade será sempre antes de tudo uma questão de vontade.

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