O Brasil vitorioso
Com 64,5 milhões de votos, equivalentes a 51,8% do total, e 4 milhões a mais que seu oponente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito no domingo (25), segundo turno da votação. A partir de janeiro o presidente da República começará a cumprir seu quarto mandato, todos conquistados em eleições diretas, feito sem precedentes. O resultado de domingo foi consequência de uma virada que pesquisas de opinião não previram e é atribuída à mobilização promovida a partir da derrota no primeiro turno, com destaque para substancial redução dos níveis de abstenção e de votos nulos que alcançaram as menores marcas históricas.
Em seu primeiro discurso depois do anúncio do resultado, o presidente reeleito prometeu governar de forma diferente, buscando mais proximidade e sintonia com as demandas da parcela da população, cuja mobilização pavimentou o caminho para o resultado de domingo. Prometeu também fazer do próximo mandato o melhor dos quatro, atento principalmente às transformações ditadas pela moderna tecnologia. E assegurou que esta marcha acontecerá sem alinhamentos automáticos e excludentes e sim como resultado da valorização da educação, da ciência e da cultura no plano interno. Tudo isso garantidas plena e efetiva normalidade democrática, como resultado portanto da vontade da maioria dos brasileiros.
Se este é o principal aspecto a destacar no plano interno, cabe também assinalar as repercussões externas da vitória de Lula, conforme chefes de Estado e a imprensa internacional registraram desde o primeiro momento. A marcha à direita parecida com uma onda de avanço incontrolável e num processo de alinhamento impositivo foi afinal detida porque soube resistir a tentativas de interferência que não foram sequer disfarçadas. Para o Brasil, a garantia de que a opção pelo multilateralismo precedido da própria soberania e garantia de independência e autonomia estão reafirmados.
São estas, afinal, as condições objetivas para que o País possa enfrentar os desafios do futuro, usando como armas para promoção do desenvolvimento econômico e da prosperidade suas reconhecidas vantagens competitivas e a partir delas construir alianças verdadeiramente equilibradas e fundadas na colaboração mútua. Tudo isso para que, no plano interno e em condições afirmativas, o governo possa, conforme também prometido pelo presidente reeleito em sua primeira fala, governar para todos os brasileiros, assumindo e liderando a reconstrução que é verdadeiramente um sonho comum. E fazendo a sua parte para dar fim à insana polarização que só nos fez mal porque a todos enfraqueceu.
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