Giro pelo mundo

Das três eleições

Brasil, Israel e os Estados Unidos passarão por pleitos importantes nos próximos dias
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Nos próximos dez dias serão realizadas três eleições importantes para a próxima década: Brasil, Israel e Estados Unidos. O resultado da eleição brasileira definirá não só sua maior ou menor aliança com os EUA, em qualquer situação a aliança vai existir, mas sobretudo uma maior ou menor soberania sobre seus recursos naturais e também a sua relação com seu maior parceiro comercial, a China. Na disputa entre China e EUA não estão só os chips, mas também terras-raras, energia e mercados. E o Brasil é um importante player nesse jogo das duas grandes potenciais.

A eleição em Israel, único país democrático no Oriente Médio, no dia 27de outubro, para eleger os 120 membros da Knesset, o parlamento, vai definir não só o destino do mais longevo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, 19 anos, mas também qual será a política israelense em relação aos palestinos e principalmente em relação aos seus 33 vizinhos árabes. Bibi, como é conhecido o primeiro-ministro, foi abertamente apoiado por Trump, mas carrega para a eleição no só acusações de corrupção, mas sobretudo do inexplicável ataque dos terroristas do Hamas e do conflito posterior em Gaza. Seu oponente é o General Einsenkot, antigo Comandante das Forças de Defesa de Israel. As previsões são de que nenhum dos dois terá a maioria e precisará se compor com partidos menores. E aí entram os partidos menores, no total concorrem 38, de judeus ultraortodoxos e de conservadores, e os partidos árabes, que, como no passado, muitos dos quais ditaram um rumo na política israelense que o mundo condena.

As eleições de meio mandato, nos EUA, quando serão eleitos todos os 435 deputados, o mandato lá é de dois anos e 35 dos 100 senadores, mandato de 6 anos, além de 36 governadores dos 50 estados, e assembleias e senados estaduais, além de prefeituras. A votação antecipada já começou e a batalha entre os republicanos, com Trump brigando por manter a maioria nas duas casas, e os democratas com chances de recuperar a maioria, parece um combate mortal. Bilhões de dólares investidos nas campanhas, principalmente digitais e na TV, o maior doador é Elon Musk, o homem mais rico do planeta. As acusações voam como mosquitos e os republicanos têm que defender o alto custo de vida, principalmente da gasolina e do diesel e dos alimentos e o conflito com o Irã. Muitos deles, mesmo indicados por Trump, têm procurado se esquivar dessas questões, mas o eleitor que paga as contas sabe as consequências das políticas de tarifas e da guerra de Trump.

Os democratas têm muitas chances de ganhar a maioria nas duas casas, o que pode sim dificultar a impertinente gestão dos Republicanos, mas não vai diminuir o ímpeto imperial de Trump. E os democratas começam a preparar seu caminho para a Casa Branca. As urnas podem surpreender, mas de qualquer maneira seus resultados mudarão os destinos de milhões de pessoas.

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Sobre o autor

Stefan Salej

Ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), empresário, analista da política internacional e presidente da Slovenian Global Business Network.