Um balé sem ritmo

Com poucas propostas e medidas populistas, brasileiros vão chegando ao segundo turno das eleições presidenciais sem um norte definido para o ajuste das contas públicas
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Um balé sem ritmo
Foto: RS / Fotos Públicas

É fato objetivo, independentemente das manhas políticas que tomaram conta de todos os espaços, que o Estado brasileiro padece de inchaço cujas proporções vão se tornando incontroláveis. Uma situação que igualmente simboliza desajustes que foram ganhando corpo ao longo do tempo, tudo isso somando ineficiência e custos que já não têm como ser suportados. Ou colocam o déficit público, assunto muito presente nos palanques em tempos de eleições, mas distantes das mesas onde são tomadas – ou não – decisões cruciais em absoluto descontrole.

Em síntese, um balé um tanto desconjuntado e sem ritmo onde as aparências parecem contar bem mais que a realidade. Eis porque os dois candidatos que no domingo estarão disputando a cadeira presidencial colocam o reequilíbrio das contas públicas na perspectiva de assunto imediato, negam ou condenam o que seria gastança fora de controle, mas ainda assim encontram espaço e disposição para prometer mundos e fundos, mas deixando de lado qualquer explicação sobre a origem dos recursos que sustentarão o prometido festim. Tudo isso muito bem simbolizado nas promessas, repetidas a quatro mãos, da criação de novos ministérios. Um para garantir segurança pública em padrões talvez suíços, outro para elevar a prosperidade geral a item de primeira necessidade e ao alcance da vontade.

Novos ministérios, hoje já são 29, não faz muito tempo eram apenas 12, passaram a ser pintados – e não é de hoje – como portadores da capacidade mágica de realizar milagres. Existem problemas, demandas reprimidas, nada que abrir as portas de mais um ministério não possa resolver. Ou quando menos deixar no ar a ilusão de que soluções podem estar mais próximas ainda que a custo do fim da elasticidade do orçamento público, mais um daqueles assuntos indigestos sobre os quais só convém falar quando for apenas para culpar o antagonista.

É nesse ambiente de poucas propostas, de projetos que são portadores apenas das medidas de conveniência mais imediata, além de ambições cada vez mais difíceis de serem disfarçadas que os brasileiros vão chegando ao segundo turno das eleições presidenciais. Mantido, até aqui, o virtual empate técnico e, portanto, as incertezas quanto ao desfecho desse mal alinhavado folhetim, ainda cabe esperar que reste algum tipo de consciência que permita ao escolhido saber distinguir entre a fantasia sempre presente nos palanques e, na modernidade, em parte reproduzida também nos debates televisivos, e a realidade da gestão pública onde em termos realistas só haverá escolha entre moderação, equilíbrio e mudanças ou cavar mais fundo o abismo da desesperança.

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