Indústria Inteligente

A transição energética e a grande oportunidade para o setor mineral

Se bem conduzido, processo pode transformar a economia brasileira e impulsionar investimentos
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O País tem diante de si uma oportunidade rara para transformar a economia nacional. Em evento recente, o presidente da Vale, Gustavo Pimenta, afirmou que o Brasil pode ser grande líder na transição energética e na oferta de minerais críticos. Para a companhia, o desafio não é a demanda, e sim ofertar esses minerais em volume e no tempo necessário.

Lítio, níquel, cobre, nióbio e terras-raras são insumos de baterias, redes elétricas e equipamentos de geração limpa, e sua demanda cresce com a eletrificação da economia. O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) projeta US$ 76,9 bilhões em investimentos minerais no País entre 2026 e 2030, impulsionados sobretudo pela transição energética.

O próprio executivo reconheceu a distância entre potencial e realidade. O último grande projeto do País foi a mina S11D, na região de Carajás (PA), e desde então não houve novas operações de grande porte. Com base em estudo da companhia, ele estimou que destravar esse potencial poderia aumentar significativamente a produção mineral, com efeitos diretos no Produto Interno Bruto (PIB), no emprego, na renda e na arrecadação.

No plano institucional, houve avanço relevante. Em setembro, a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos foi sancionada, criando um conselho vinculado à Presidência para definir a lista de minerais e elaborar um plano nacional. A lei prevê incentivos fiscais e financeiros, rastreabilidade da produção e estímulo ao beneficiamento no território. Também impõe às empresas obrigações de investimento em pesquisa e inovação.

Política pública pode criar condições, mas decidir investimentos depende de retorno calculado, previsibilidade regulatória, energia, logística e, sobretudo, da capacidade de obter licenças no prazo. Em audiência no Senado, em maio, o Ibram destacou o projeto que prioriza o licenciamento de minerais estratégicos sem alterar as regras de sustentabilidade. Quem atua na área avalia que a competitividade depende de um licenciamento eficiente, previsível e tecnicamente qualificado, e não de flexibilização normativa. Isso exige dados técnicos consistentes, diálogo com comunidades e cronogramas realistas desde o primeiro estudo.

Para a indústria de base, a oportunidade vai além da extração. Pimenta citou a chance de agregar valor no País, e a política também estimula o beneficiamento no território. É nessa etapa que está o grande salto: quanto mais refino e transformação forem feitos aqui, mais valor fica no País. Para as empresas do setor, isso exige planejar a cadeia com visão expandida e decidir sobre fornecimento, parcerias e capacidade de processamento antes que os projetos comecem a ser executados.

Estar em um ambiente favorável não substitui boa gestão. Antes de comprometer capital, convém reavaliar o portfólio com foco em valor agregado, construir planos de negócio com premissas explícitas de preço, prazo e licenciamento e instituir governança com marcos de execução e decisão bem definidos. O Brasil tem recursos valiosos e um marco legal mais claro. Converter essa oportunidade em um novo ciclo de crescimento deve ser prioridade na agenda do setor.

Conteúdos publicados no espaço Opinião não refletem necessariamente o pensamento e linha editorial do DIÁRIO DO COMÉRCIO, sendo de total responsabilidade dos/das autores/as as informações, juízos de valor e conceitos divulgados.

Sobre o autor

André Chaves

Vice-presidente da unidade de negócios da Falconi especializada em Indústria de Base e Bens de Capital


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